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Mercado

Ultrapar (UGPA3) 1T24: margens mais fracas na Ipiranga pesam no resultado do trimestre

Daniel Cobucci, analista de investimentos do BB-BI, analisa os resultados da Ultrapar no 1o trimestre 2024

Publicado por: Análise BB

conteúdo de tipo Leitura6 minutos

Atualizado em

10/05/2024 às 14:43


A Ultrapar divulgou ontem (8) o resultado do 1T24 com continuidade de bons números na Ultracargo, mas um avanço mais limitado na Ipiranga e na Ultragaz. Na Ipiranga, apesar de um avanço em volume de vendas, vemos uma margem EBITDA de R$ 140/m3, comparada aos R$ 159/m3 reportados pela Vibra no mesmo período. Na Ultragaz, pesou a menor demanda e o ambiente competitivo, em especial no segmento envasado, enquanto as boas notícias ficaram concentradas na Ultracargo, que vem crescendo em rentabilidade e em capacidade operacional. Destacamos também a aquisição feita pela Ultrapar neste trimestre, na Hidrovias do Brasil, consolidando uma participação de ~36% na empresa, o que entendemos como acertada, dadas as sinergias e possibilidades de expansão da atuação em setores expostos ao agronegócio, principalmente nas regiões Centro-Oeste e Norte.

Resultados por segmento:

Ultragaz. O volume de vendas teve uma queda de 4% a/a (-5% t/t), novamente puxada pelo pior desempenho no segmento envasado (-6% a/a), com menor demanda e ambiente mais competitivo após repasse do aumento de impostos em alguns segmentos. Já as vendas do segmento granel vieram estáveis na comparação anual e trimestral. Assim, o EBITDA da companhia ficou em R$ 401 milhões, +4% a/a e -1% t/t, mantendo a margem EBITDA acima dos R$ 900/tonelada, patamar que entendemos como robusto e que sinaliza boa relação entre custos, despesas e margens comerciais.

Ultracargo. A Ultracargo segue surpreendendo positivamente. O aumento de 12% a/a na capacidade estática colaborou para a elevação de 21% a/a no m3 faturado, como consequência das diversas adições de capacidade: (i) 90 mil m3 vindo da aquisição da Opla, em jul/23; (ii) 12 mil m3 com a aquisição da base de Rondonópolis, da Ipiranga; e (iii) 10 mil m3 com a expansão do terminal de Vila do Conde, a partir de jul/23. Assim, o 1T24 trouxe um EBITDA ajustado de R$ 165 milhões, +16% a/a e +7% t/t, apesar do aumento de 16% a/a nas despesas operacionais (gastos com pessoal: dissídio; e assessoria jurídica: renovação de concessões). Os resultados da Ultracargo seguem trazendo avanço na rentabilidade por metro cúbico e ampliações que sinalizam uma estratégia comercial acertada.

Ipiranga. O volume de vendas de combustíveis teve um aumento de 2% a/a (-8% t/t), puxado pelo incremento de 7% a/a no ciclo otto, apesar da redução de 3% nas vendas de diesel e de -4% em outros, o que entendemos como um resultado operacional bom, dadas as condições mais adversas no período, como as distorções tributárias na importação de diesel – sanadas em abril – e o maior nível de estoques no setor, com a expectativa de retorno dos impostos, o que pressionou preços. O EBITDA do trimestre atingiu R$ 783 milhões, 48% superior a/a, variação ligada à perda com estoques ocorrida no 1T23. A margem EBITDA ficou em R$ 140/m3, 26% abaixo dos R$ 190/m3 do 4T23, também um pouco abaixo de nossas projeções ao redor dos R$ 150/ m3, mas já refletindo a melhora trazida pelo processo depuração de postos e aprimoramentos em logística. Recentemente, houve a criação de dois convênios pelo Consefaz para coibir a importação de diesel com vantagens tributárias, o que sugere que as companhias listadas poderão melhorar suas condições na disputa de market share sem perda relevante de margens.

A Ultrapar acumula uma alta superior a 60% nos últimos doze meses, apesar de registrar uma queda de ~12% desde fevereiro, principalmente devido ao ambiente competitivo mais acirrado enfrentado pelas distribuidoras no período. De toda forma, mantemos o entendimento de que as melhorias em rentabilidade e eficiência obtidas no processo de turnaround da Ipiranga já se encontram precificadas, justificando a recomendação Neutra para UGPA3 e o preço-alvo de R$ 20,00.

UGPA3 vs IBOV

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Este é um relatório público e foi produzido pelo BB-Banco de Investimento S.A. (“BB-BI”). As informações e opiniões aqui contidas foram consolidadas ou elaboradas com base em informações obtidas de fontes fidedignas e de boa-fé, tendo sido tomadas medidas razoáveis para assegurar sua exatidão no momento de publicação. Contudo, o BB-BI não garante que tais dados sejam totalmente isentos de distorções e não se compromete com a veracidade dessas informações. Todas as opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e derivam do julgamento de nossos analistas de valores mobiliários (“analistas’), podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio. O BB-BI não garante o lucro e não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas nesse material, que tem por finalidade apenas informar e servir como instrumento que auxilie a tomada de decisão de investimento, não devendo ser interpretado como material promocional, recomendação, oferta ou solicitação de oferta para comprar ou vender quaisquer títulos e valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros. Investimentos nos mercados financeiros e de capitais estão sujeitos a riscos de perda superior ao capital investido. A rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Nos termos do art. 22 da Resolução CVM 20/2021, o BB-BI, em conjunto com o Conglomerado Banco do Brasil S.A. (“Grupo”), declaram que (i) podem ser remunerados por serviços prestados ou possuir relações comerciais com a(s) empresa(s) analisada(s) neste relatório ou com pessoa natural ou jurídica, fundo ou universalidade de direitos, que atue representando o mesmo interesse dessa(s) empresa(s); (ii) podem possuir participação acionária direta ou indireta, igual ou superior a 1% do capital social da(s) empresa(s) analisada(s), e poderão adquirir, alienar ou intermediar valores mobiliários da(s) empresa(s) no mercado.

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