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Mercado

Selic pode permanecer em 10,5% até o fim do ano? E como fica sua estratégia de investimentos?

Publicado por: Broadcast Exclusivo

conteúdo de tipo Leitura7 minutos

Atualizado em

20/06/2024 às 16:07

Por Luana Pavani, Eduardo Laguna, Marianna Gualter, Denise Abarca e Cícero Cotrim, do Broadcast

São Paulo, 20/06/2024 - Para surpresa de ninguém, a taxa de juros básica da economia brasileira, a Selic, foi mantida em 10,5% ao ano. Mas o que isso significa para os seus investimentos? Afinal, a expectativa de flexibilidade da política monetária neste ano não se concretizou. Quem tinha montado a carteira de investimentos esperando chegar ao final do ano com menor concentração na renda fixa, por exemplo diminuindo a fatia em títulos remunerados pela taxa DI e elevando os aportes em renda variável (como ações ou criptomoedas), pode aproveitar esse momento para rever a estratégia.

No início de 2024, havia perspectiva de que o ano fosse de maior apetite a risco, já que era esperado um ciclo de afrouxamento da política monetária - em outras palavras, que a previsão de cortes de juros faria os investidores retomarem os aportes em Bolsa e renda variável de modo geral. "Mas ao final do primeiro semestre, o que se vê é que a renda fixa se mantém protagonista, com o CDI performando de forma destacada, e a gente caminha para o segundo semestre na mesma toada", afirma Eduardo Villela, gerente executivo de captação de investimentos do Banco do Brasil.

O anúncio do Copom era amplamente esperado, no contexto de que no período desde a última reunião do colegiado (8/05) até ontem (19/06), o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) diminuiu a expectativa de redução de juros por lá este ano, e por aqui ocorreu a desvalorização do câmbio e dados de inflação um pouco maiores do que o esperado, como explica Vinicius Zanchi, especialista em assessoramento econômico do Banco do Brasil. "A nossa previsão é que o BC deve deixar a taxa Selic mais alta por mais tempo para perseguir a meta inflacionária", disse, acrescentando que a visão do banco é de que a Selic permanecerá em 10,50% até o final de 2024 e início de 2025.

Assim, para o investidor que tem visão de longo prazo, os investimentos pós-fixados seguem muito bem posicionados, por ter menor volatilidade e maior liquidez. "Faz sentido que os investidores sigam olhando títulos de crédito relacionados ao CDI, CDBs e letras de crédito (como LCA e LCI)", avalia Villela. Já para o perfil que opera no day trade, é preciso ter mais cuidado, segundo ele, pois a previsão é de mais volatilidade nos mercados a curto prazo.

É preciso atenção também quanto aos fundos multimercado. Embora sejam considerados flexíveis, pois fazem uma gestão variada de ativos entre renda fixa e variável, na avaliação do profissional essa classe não teve um primeiro semestre positivo, "mas pode surpreender no segundo semestre."

Segundo Villela, vale olhar para investimentos no exterior, que também estão interessantes, vide o segmento de ações de tecnologia nos Estados Unidos, principalmente de empresas de Inteligência Artificial, que vêm batendo máximas recentemente. Dentro do portfolio da BB Asset, ele cita duas novidades, uma mais arriscada outra menos, mas ambas interessantes do ponto de vista de diversificação, como um fundo multimercado que monta uma cesta de criptomoedas e ETFs, e também um fundo com foco em debêntures incentivadas, com liquidez para eventual resgate e a vantagem de isenção de imposto de renda para a pessoa física.

Veja mais: Videocast Copom

Selic alta por mais tempo

Durou dez meses o ciclo de redução dos juros de referência da economia. Foram sete cortes da taxa Selic desde agosto do ano passado, caindo de 13,75% para 10,50% em maio, porcentual reiterado ontem. A unanimidade entre os diretores do Banco Central na decisão desta reunião de 19 de junho também era aguardada, mas não deixa de representar um alívio, já que não era completamente descartada a possibilidade de dissenso - lembrando do racha no Copom de maio. As primeiras impressões no mercado são de que o BC, ao mostrar desta vez consenso, deve aplacar os questionamentos à credibilidade da política monetária.

No comunicado, onde apresenta as primeiras explicações do fim do corte de juros, o BC dá indicações de que pretende manter a Selic alta por período prolongado. Nesse sentido, ao voltar a apresentar, como não fazia desde maio de 2023, um cenário alternativo, projetou uma inflação mais próxima da meta central (3%) no ano que vem se os juros continuarem em 10,5%. Também ressaltou o compromisso de manter os juros em terreno contracionista até que se consolide não apenas o processo de queda da inflação, mas também de ancoragem das expectativas em torno da meta.

Leia também: O que tem a ver inflação com taxa de juros?

Na curva de juros, a expectativa é de queda para as taxas futuras nesta quinta-feira, ao menos na ponta curta, que reúne a percepção sobre o ciclo de política monetária nos próximos meses. Esse ajuste, em boa medida, virá por causa do cenário alternativo apresentado pelo Copom. Nele, a inflação de 2025 chega a 3,1% considerando Selic constante ao longo do horizonte relevante, ou seja, colada à meta de 3%. Nas contas do mercado, com a Selic estacionada em 10,50%, a projeção de IPCA do BC para 2026, atualmente em 3,2%, poderá ser atualizada até para baixo da meta no próximo Relatório de Inflação (RI) que sai no fim do mês, o que tende a abrir espaço para uma reabertura do ciclo de cortes no ano que vem.

Por outro lado, ainda que o dólar já esteja na maior cotação em um ano e meio, não há no texto qualquer indicação de que os juros podem subir até o fim do ano, quando a ala considerada mais hawkish, ou seja, linha dura, continuará decidindo as reuniões do Copom.

Os motivos que obrigaram o BC a abreviar o ciclo, impedindo a Selic chegar aos 9%, como se esperava no início do ciclo de flexibilização monetária, são diversos, passando pela demora do Federal Reserve em começar a reduzir os seus juros, com a inflação caindo menos no mundo, exigindo pulso firme do BC em meio a um ambiente de incertezas elevadas. A primeira reação da autoridade monetária foi retirar a sinalização de mais cortes dos juros, o chamado "forward guidance", assegurando assim a liberdade para encerrar o ciclo.

Entenda: Taxa Selic: o que é e como ela afeta a sua vida e seus investimentos

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