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Mercado

Renda fixa e crédito privado: relatório quinzenal (24/06/24)

O BB-BI analisa os principais indicadores que impactam as decisões de investimento em renda fixa e crédito privado.

Publicado por: Análise BB

conteúdo de tipo Leitura8 minutos

Atualizado em

28/06/2024 às 10:40


Panorama econômico

Decisões de política monetária foram destaque nos mercados ao redor do mundo. Dados de inflação ao consumidor e ao produtor e números de vendas do varejo abaixo das expectativas nos Estados Unidos trouxeram alívio na precificação dos yields dos treasuries no decorrer de junho. Contudo, a decisão do Fomc em sustentar os juros americanos no intervalo de 5,25% a 5,50% somada a discursos mais conservadores de membros do Fed tem se materializado em maior probabilidade de termos apenas um corte de juros no ano, a partir de dezembro.

No Brasil, o aumento das incertezas em relação a política fiscal ocasionou movimento de maior aversão a risco e pressão sobre o desempenho dos ativos locais. Na quarta-feira (19), o Copom optou por interromper o ciclo de afrouxamento monetário no país, iniciado em agosto de 2023, mantendo a taxa Selic em 10,5% a.a. em decisão unânime diante de um cenário de maior volatilidade global e persistência inflacionária em horizonte relevante. Em seu comunicado, o comitê destacou que deve se manter contracionista por tempo suficiente para ancoragem das expectativas em torno das metas de inflação.

O Boletim Focus divulgado nesta data mostrou sentimento de maior cautela por parte do mercado com leve alta das projeções para a inflação ao final de 2024, de 3,96% para 3,98%, e ao final de 2025, de 3,80% para 3,85%. Para Selic, as projeções foram mantidas como o divulgado há uma semana.

Curva de juros

Na última quinzena, a curva de juros nominais brasileira permaneceu pressionada, refletindo a deterioração das expectativas do mercado para indicadores domésticos. Os vértices curtos apresentaram pequena elevação no período, operando próximos da estabilidade, enquanto vencimentos intermediários e longos seguiram movimento de maior abertura, mais sensíveis aos riscos fiscais. No entanto, a manutenção dos juros básicos no patamar de 10,5% a.a. contribuiu para a diminuição de dúvidas relacionadas a condução da política monetária e para leve fechamento dos prêmios em comparação com a semana anterior.

A curva de DI futuro precificava, em 20/06, uma taxa Selic de 10,62% para dez/2024, 11,22% para dez/25 e 11,60% para dez/26, números ainda superiores que a mediana das expectativas do mercado. O aumento substancial dos prêmios na curva de juros no decorrer do semestre e a continuidade da escalada dos juros reais no Brasil manteve o diferencial entre o rendimento dos títulos indexados à inflação com vencimento de 10 anos no Brasil e nos EUA em níveis atrativos para a renda fixa doméstica.

A estabilidade média dos spreads persistiu no decorrer de junho, demonstrando equilíbrio entre oferta e demanda frente à maior resistência e seletividade dos investidores na alocação de papéis privados diante de prêmios menores no comparativo histórico recente.

Índices de Debêntures da Anbima - IDA

O IDA-DI, Índice de Debêntures da Anbima que espelha uma carteira de debêntures indexadas ao CDI, apresenta, até o momento, o melhor desempenho acumulado no mês de junho (+0,7%) devido seu posicionamento em títulos de duration mais curta. Em contrapartida, os índices mais sensíveis a variações de longo prazo foram negativamente impactados no mesmo período em função da forte volatilidade observada na curva de juros.

Nos últimos 12 meses, todos os Índices de Debêntures da Anbima permanecem superando o desempenho dos índices atrelados aos títulos públicos, beneficiados pelo relevante fechamento dos spreads de crédito e por juros em patamares mais elevados do que antes previsto, reforçando a atratividade no carregamento de uma cesta de papéis privados para detentores de ativos e para novas alocações desde que considerada a melhor relação risco versus retorno na escolha de emissores.

Destacamos, no entanto, que a estabilidade média dos spreads persistiu no decorrer de junho, demonstrando equilíbrio entre oferta e demanda frente à maior resistência e seletividade dos investidores na alocação de papéis privados diante de prêmios menores no comparativo histórico recente. Os spreads das emissões indexadas a IPCA+, por exemplo, seguem precificados 50 bps acima da NTN-B versus 140 bps no mesmo período em 2023.

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