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"Quero deixar legado de diversidade de pessoas e de fontes de resultado", diz Tarciana, CEO do BB

Publicado por: Broadcast Exclusivo

conteúdo de tipo Leitura4 minutos

Atualizado em

21/06/2024 às 10:33

Por Matheus Piovesana, do Broadcast

São Paulo, 21/06/2024 - A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, disse que quer deixar como marca de sua gestão a diversidade das pessoas em cargos de liderança, mas também nas fontes de resultado. Ela afirmou que o BB tem de refletir em seus níveis hierárquicos a composição da sociedade brasileira, e que houve avanços neste sentido.

"O que eu pretendo deixar de legado é principalmente que a diversidade que o nosso País tem na sua população esteja espelhada dentro da hierarquia corporativa, e aí leia-se 50% de mulheres em cargos de gestão", disse ela durante a Women's Hemispheric Network, realizada nesta sexta-feira em São Paulo.

A executiva disse que os 125 mil funcionários do conglomerado, número que considera quem trabalha nas empresas coligadas, refletem a composição da sociedade brasileira. Nas altas instâncias, porém, esse reflexo começou a chegar agora. Tarciana é a primeira mulher a comandar o BB em seus 215 anos de história, e trabalha no banco há 24 anos.

"Pela primeira vez temos equidade de gênero no conselho de administração, temos dois colegas negros no conselho de administração e temos colegas LGBT no conselho de administração", afirmou ela.

Tarciana falou ainda sobre a própria carreira. Antes de entrar no BB, no ano 2000, ela foi feirante e professora. Segundo ela, a decisão de fazer o concurso do banco veio por uma lembrança da infância: ela vendia produtos em uma banca perto de casa, e ao lado de uma agência do BB. Por isso, se beneficiava das filas para o atendimento. "Fila no Banco do Brasil para mim é sinônimo de coisa boa", brincou.

Veja também: Tarciana Medeiros: "Teria pelo menos 10 mulheres para indicar como CEO do banco"

Liderança feminina

Tarciana é a primeira mulher a comandar o BB nos 215 anos de história do banco. Ela fez menção ao fato de que a primeira mulher a se tornar funcionária do conglomerado entrou há 60 anos, ou seja, muito tempo depois da criação do banco. "Isso significa que não existia mulheres no sistema financeiro brasileiro. Se isso é muito recente, significa que historicamente quem toma crédito é homem", disse.

Com isso, segundo a presidente do banco público, é preciso entender os vieses que explicam o modo como os modelos construídos até aqui funcionam. "Temos uma história muito maior de homens tomando crédito, e uma história muito menor de mulheres tomando crédito e movimentando a economia."

Ela defende que os bancos precisam ter modelos específicos para clientes mulheres, cuja tomada de crédito é historicamente mais recente. Segundo ela, esse cuidado envolve levar mulheres a postos ligados ao desenvolvimento destes modelos, inclusive nas mudanças provocadas pela inteligência artificial. "É preciso termos modelos de análise específicos para mulheres".

Guidance a cumprir

O banco caminha para entregar as projeções corporativas (guidance, em inglês) que divulgou para este ano. Segundo ela, isso mostra que o cenário econômico é positivo, dado que o BB projeta crescimento da carteira de crédito e do lucro. "Tudo se encaminha para cumprirmos os guidances que demos ao mercado, e isso comprova que o cenário econômico está favorável", disse ela.

O cenário externo, em especial o da economia dos Estados Unidos, tem influência sobre o crescimento do País. Ela mencionou o adiamento dos cortes de juros pelo Fed, o Banco Central americano. "Quando o cenário externo se resolver, o Brasil tem todas as condições para deslanchar", afirmou a presidente do BB.

Tarciana afirmou que o banco tem percebido um crescimento na demanda por crédito, tanto para o consumo quanto para o financiamento a investimentos pelas empresas e para o setor público, em obras de infraestrutura.

A presidente do BB elogiou a reforma tributária, encampada pelo governo e que teve o texto-base aprovado pelo Congresso no ano passado. "A equipe econômica do governo está fazendo um trabalho muito interessante", disse. "É uma equipe técnica e que tem o cuidado de fazer com que o Brasil tenha as mudanças para deslanchar esse crescimento."

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