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Mercado

Petrobras (PETR4): Resultado 1T24 - aquém do esperado no trimestre, mas fundamentos seguem sólidos

Especialista Daniel Cobucci, do BB Investimentos, analisa os resultados da Petrobras no 1o trimestre 2024

Publicado por: Análise BB

conteúdo de tipo Leitura6 minutos

Atualizado em

17/05/2024 às 15:55


A Petrobras divulgou ontem (13) seu resultado do 1T24, com números abaixo das expectativas de mercado. O EBITDA ajustado atingiu R$ 60 bilhões (-10% t/t, -17% a/a), 13% abaixo do consenso de mercado, com fluxo de caixa operacional em R$ 46,5 bilhões (-19% t/t e -14% a/a).

Em nosso entendimento, ainda que aquém do esperado, os itens que prejudicaram o resultado são pontuais e refletem condições de mercado, ou seja, não sinalizam mudança de rumo; logo, não mudam nosso entendimento sobre a companhia, que segue robusta operacionalmente, com condições estruturais de baixo lifting cost (efeito diluição de custos fixos no pré-sal) e com perspectivas de seguir entregando boa geração de caixa operacional e dividendos.

Resultado por segmentos:

Em Exploração & Produção, houve uma redução de 3,5% a/a e de 13% no lucro bruto, como consequência da menor produção no período (-5,5% t/t), dadas as paradas para manutenção, conforme comentamos em nosso relatório de produção e vendas. As paradas para manutenção também colaboraram para um aumento de 9% t/t no lifting cost, além de um incremento nos custos devido à intensificação das atividades de inspeção e manutenção submarinas na Bacia de Campos e na Bacia de Santos. Assim, vemos um EBITDA do segmento em R$ 55,4 bilhões, -3,7% t/t e -2,1 a/a, contra um Brent que variou -1% t/t e +2,4% a/a.

Já em Refino (RTC), houve uma redução de -4,9% t/t e -2,9% a/a, puxadas pelas reduções nas vendas de diesel e gasolina, impactados pela demanda e pela competividade de alternativas: produto importado no caso do diesel e etanol no caso da gasolina (os preços do biocombustível no mercado doméstico têm favorecido seu consumo e vêm afetando a demanda por gasolina). Com isso, o EBITDA do segmento ficou em R$ 9,9 bilhões, +1,5% t/t e -20% a/a, mas vale apontar que o trimestre atual foi beneficiado por ter tido um efeito positivo em estoques (R$ 2,2 bilhão), ante efeito negativo em R$ 1 bilhão no 4T23, dada a variação no Brent e câmbio. Destaque positivo para a manutenção da elevada taxa de utilização, em 92% (+ 7 p.p. a/a).

Por fim, no segmento de Gás & Energia, mais sujeito a volatilidade e efeitos climáticos, houve uma redução de 13% t/t no lucro bruto, como consequência da redução na venda de disponibilidade térmica em leilão (encerramento de contratos), enquanto a venda de energia elétrica recuou 41,8%, devido à recuperação do nível dos reservatórios durante o período de chuvas. Com tais efeitos, mesmo com a redução de 4,7% nas despesas operacionais, o EBITDA do segmento atingiu R$ 2,4 bilhões, redução de 32% t/t.

Dividendos. A companhia anunciou o pagamento de um total de R$ 13,45 bilhões em dividendos, em duas parcelas de ~R$ 0,52, totalizando ~R$ 1,04 por ação. A primeira parcela será paga em 20/08/24 a título de JCP, e a segunda parcela em 20/09/24, sendo ~R$ 0,45 sob a forma de dividendos e R$ 0,07 sob a forma de juros sobre capital próprio. A companhia também apontou que realizou R$ 1,15 bilhão em recompra de ações, o que contribuiu para a remuneração ao acionista.

Em nosso modelo, consideramos uma distribuição de 36,9% do lucro líquido 2024E, estimado em R$ 114,9 bilhões, ponderando a fórmula atual de distribuição de 45% do fluxo de caixa livre (FCL). Isso deve resultar em uma distribuição de R$ 3,09 por ação para 2024 (yield de 7,4%) e R$ 3,97 por ação para 2025 (yield de 6,7%). Essa é uma projeção conservadora, que tem elevadas chances de ser aumentada pela distribuição de dividendos extraordinários, dado que no momento a companhia se encontra com a dívida sob controle (dívida líquida/EBITDA em 0,7x) e sem necessidade complementar de caixa, dado que a fórmula de dividendos já considera os investimentos necessários, de modo integralmente contemplados pela geração de caixa.

Uma eventual não distribuição dos dividendos extraordinários pode ocorrer caso a Petrobras inclua investimentos não previstos no curto prazo, mas que estão no radar da companhia, como uso de seu direito de preferência para aquisição de fatia na Braskem ou oportunidades ligadas a biorefino e/ou acordo com a Acelen para retorno à refinaria de Mataripe (antiga RLAM). Também esperamos que a companhia aumente seus investimentos em exploração, dada a necessidade de novas reservas, o que tem sido aventado com as recentes discussões sobre retorno às operações na África, com destaque para a recente fala sobre perspectivas na Namíbia, e às aquisições já realizadas em São Tomé e Principe, dando à companhias opções de aumento de reservas caso não tenha sucesso exploratório na Margem Equatorial (por dificuldades de licenciamento ambiental ou não confirmação das reservas esperadas). Como detalhamos em nossa última revisão de preço, ainda há outras opções sendo aventadas, como a bacia de Pelotas e na Colômbia, em parceria com a Ecopetrol.

Após a forte queda apresentada em março, ocorrida após a não distribuição dos dividendos extraordinários, o papel voltou a subir e atingir novas máximas, reforçando nossa posição inicial de que o assunto seria um ruído de curto prazo. Assim, as boas perspectivas de geração de caixa, baixo custo de extração e pagamento de dividendos seguiram como fundamentos que suportaram a alta de mais de 90% nos últimos doze meses. Mantemos nossa recomendação compra e o preço-alvo de R$ 47,00 para 2024.

PETR3 vs PETR4 vs IBOV

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