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Mercado

Petrobras (PETR4) - Investor tour e posse da nova CEO

Especialista Daniel Cobucci, do BB Investimentos, relata visita ao centro de pesquisas da Petrobras e comenta discurso de posse da nova CEO.

Publicado por: Análise BB

conteúdo de tipo Leitura6 minutos

Atualizado em

28/05/2024 às 14:45


A Petrobras recebeu, nesta segunda-feira (27), analistas e investidores para um investor tour realizado nas instalações de seu centro de pesquisa, o Cenpes (Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação Leopoldo Américo Miguez de Mello). Neste relatório, iremos comentar os destaques da visita e também destacar alguns elementos do discurso de posse da nova CEO da companhia, realizado na mesma data, em Brasília.

O que é o Cenpes? Criado em 1963 e localizado na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro, o Cenpes é um dos maiores complexos de pesquisa aplicada do mundo, com mais de 116 laboratórios e mais de 1100 funcionários entre doutores, mestres e técnicos, promovendo pesquisas que já levaram a companhia a ganhar, em cinco ocasiões, o Distinguished Achievement Award for Companies, maior prêmio da indústria mundial de O&G, concedido anualmente pela Offshore Technology Conference (OTC) para as companhias desenvolvedoras de tecnologias que contribuem de modo significativo e inovador para o setor.

Pentacampeã. A primeira premiação da Petrobras ocorreu em 1992, pelas inovações desenvolvidas para o campo de Marlim (Bacia de Campos); a segunda, em 2001, pelas soluções concebidas para o campo de Roncador; a terceira vez, em 2015, pelo conjunto de dez tecnologias especialmente criadas para o pré-sal; a quarta, pelas inovações desenvolvidas para o campo de Búzios; e, por fim, neste ano de 2024, novamente premiada pela atuação no campo de Marlim, com o desenvolvimento de tecnologias para campos maduros offshore, logrando uma redução de 55% nas emissões de gases de efeito estufa. É pouco provável que a companhia conseguisse tamanhas conquistas mundiais sem um centro de pesquisas de excelência, e é certo também de que se hoje é possível explorar águas profundas a 7.000 metros de profundidade e com custos extremamente baixos para os padrões do setor, também é graças a esse investimento contínuo em pesquisa e desenvolvimento.

A visita ao Cenpes teve sua abertura realizada pelo CFO interino, Carlos Rechelo, que ressaltou a continuidade da trajetória da companhia em relação a aspectos financeiros e operacionais. As apresentações foram conduzidas pela equipe técnica composta por engenheiros e geólogos, com destaque para o Dr. Paulo Johann, experiente geofísico que conduziu a maior parte do evento.

O evento contou com explicações sobre as tecnologias utilizadas para mapeamento do solo submarino, como a sísmica 3D, utilizando simulações reais do campo de Tupi para demonstrar como são realizados os mapeamentos de estruturas subterrâneas e como essas simulações permitem identificar as áreas mais promissoras para a exploração. Com tais mapeamentos, são produzidas imagens detalhadas que permitem otimizar o posicionamento dos poços de modo a maximizar a extração de petróleo, além da produção contínua de conhecimento que acaba sendo utilizado nas perfurações seguintes.

Houve também uma visita a dois laboratórios, onde a companhia apresentou seu processo de identificação de rochas, tratando de aspectos como porosidade e permeabilidade para compreensão do possível comportamento das jazidas em função de sua composição e período de formação, o que permite identificar onde estão as potenciais descobertas.

A companhia reforçou sua atuação em parceria com universidades e instituições de pesquisa nacionais e estrangeiras, além de fornecedores, startups e outras operadoras, de modo a desenvolver tecnologias que possam trazer ganhos mútuos.

O destaque mais relevante, em nossa opinião, foi a apresentação de uma tecnologia que tem o potencial de garantir futuramente mais uma premiação OTC, o HISEP (sigla para Separador de Alta Pressão). A tecnologia permite a captura de CO2 ainda no ambiente submarino, utilizando o aumento da pressão para modificar o estado do CO2, que se torna líquido e pode ser reinjetado no reservatório sem a necessidade de subir até a plataforma para tratamento e reinjeção. Interessante notar que esse trecho da apresentação foi realizado pelo idealizador da ideia, Fábio Passarelli, que pensou em tal possibilidade há cerca de dez anos, quando conheceu uma nova técnica de descafeinação do café, que utilizava dióxido de carbono para remover a cafeína dos grãos de café sem alterar suas propriedades. De modo análogo, no HISEP, o CO2 é extraído e separado da água e do óleo, trazendo enorme ganho de eficiência. A TechnipFMC será a empresa responsável pelo desenvolvimento do projeto, com previsão de ser conectado ao FPSO de Mero 3 em 2028, com grandes chances de ser replicado em outras plataformas em caso de sucesso nos testes. Em suma, o investor tour logrou demonstrar de modo muito eficiente a importância de toda uma trajetória da pesquisa e inovação em uma companhia, e os resultados que podem ser alcançados quando tais práticas se mantêm no centro de seus direcionamentos estratégicos.

Nova CEO, Magda Chambriard toma posse. Em evento realizado ontem (27), a executiva recém empossada deu algumas sinalizações sobre rumos a serem adotados, em fala que entendemos como positiva, ao reforçar continuidade de dimensões importantes do plano estratégico 2024-28, como a política comercial e a reposição de reservas, além de investimento em renováveis. Outros aspectos mencionados foram a possível recompra da refinaria de Mataripe, da Acelen, que vem sendo negociada em conjunto com novo projeto de biorefino, o que pode ser interessante para ambas partes. Outros assuntos mencionados na entrevista foram a aceleração da conclusão das obras do Comperj (Gaslup, no RJ) e conclusão do trem 2 da RNEST (Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco), sendo que ambos já estavam previstos nos investimentos do PNE atual.

A executiva evitou detalhar sua abordagem para os dividendos, mencionando que a empresa seguirá lucrativa e pagando dividendos, de acordo com a “lógica empresarial”. Em nosso entendimento, seria importante ter maior clareza nessa dimensão, já que a diferença, caso seja adotado o pagamento do mínimo obrigatório (25% do lucro líquido) em relação à regra atual (45% do fluxo de caixa menos investimentos), ocasionaria uma redução próxima a 32% no montante a ser pago em 2024, dado que nosso modelo atual prevê uma distribuição de R$ 3,09 por ação (yield de 7,1%), ante uma previsão de R$ 2,11 (yield de 4,8%) caso a companhia opte pelo pagamento do mínimo obrigatório, diferença que poderia impactar a decisão de investimento de minoritários. Ainda assim, cabe mencionar que, em termos teóricos, desde que a empresa mantenha a premissa de investir em projetos com retorno acima de seu custo de capital, o pagamento de dividendos não afeta os retornos de longo prazo. Assim, com a mensagem principal sendo de uma continuidade de foco no pré-sal e de busca por ganhos de eficiência e reposição de reservas, entendemos que há motivos para manter o otimismo com a companhia, ainda que no momento tenhamos uma abordagem um pouco mais cautelosa ao manter a recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 47,00 para 2024.

PETR3 vs PETR4 vs IBOV

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