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lâmpada de energia pendurada sobre fundo azul

Mercado

Light tem novo plano de recuperação judicial aprovado pelo conselho e aguarda AGC dia 29

Publicado por: Broadcast Exclusivo

conteúdo de tipo Leitura3 minutos

Atualizado em

20/05/2024 às 14:37

Por Eduardo Laguna, Luciana Collet e Denise Luna, do Broadcast

São Paulo, 20/05/2024 - O conselho de administração da Light aprovou em reunião realizada no último sábado, 18, os termos e condições do novo plano de recuperação judicial da companhia. Além de detalhar as etapas de sua implementação, o novo plano prevê aporte de recursos na empresa, via aumento de capital, e a capitalização de determinados créditos, assim como o pagamento integral de credores aos quais, individualmente, a Light deve até R$ 30 mil.

Conforme fato relevante publicado na noite deste sábado, o novo plano de recuperação judicial reflete modificações feitas para adequar determinados termos e condições, visando maior alinhamento com os interesses dos credores. O objetivo, conforme o documento, é superar a crise econômico-financeira da companhia, permitindo a continuidade da prestação dos serviços, a preservação de valor e a promoção de sua função social.

O próximo passo é a aprovação do plano em assembleia de credores (AGC), marcada para o próximo dia 29 de maio. Enquanto isso, o plano de recuperação proposto pela empresa será alvo de apreciação por uma série de assembleias gerais de debenturistas (AGDs) marcadas nesta semana. Há importante parcela de debenturistas que não fez parte do acordo preliminar acertado no mês passado com gestores representantes de fundos titulares de algumas emissões de debêntures.

Leia também: O que é recuperação judicial e qual o impacto nas ações

Além da repactuação das dívidas, também faz parte do plano de recuperação da companhia a injeção de R$ 1 bilhão de capital na companhia pelos acionistas de referência - Nelson Tanure, Ronaldo Cézar Coelho e Carlos Alberto Sicupira. O presidente da Light, Alexandre Nogueira, afirmou que esse aporte é uma demonstração de apoio "claro à gestão" e disse estar otimista com o resultado da próxima assembleia com credores, dia 29. "Tivemos o aporte de R$ 1 bilhão, que foi um sinal claro de apoio a essa gestão, e grupos relevantes nacionais e internacionais assinaram acordos nas últimas semanas. Com tudo isso, estou confiante na aprovação da recuperação judicial na assembleia do dia 29 de maio", afirmou Nogueira, na semana passada, em teleconferência com analistas para comentar o balanço da Light.

Segundo ele, "vencida essa etapa crucial, a empresa poderá focar na recuperação institucional e regulatória, visando a recuperação econômica da Light, assim como a continuidade da sua concessão", frisou o executivo.

Conversão de debêntures em ações

No plano, está prevista a capitalização de parte dos créditos, por meio da formalização de instrumentos de dívida conversíveis e não conversíveis. Na categoria dos credores na condição de apoiadores, a expectativa é de conversão de no mínimo 35% dos créditos de debêntures conversíveis em ações da companhia, com limite de R$ 2,2 bilhões.

O diretor Financeiro e de Relações com Investidores da companhia, Rodrigo Tostes, que lidera as negociações com credores em nome da companhia desde que chegou à Light, em fevereiro, está otimista. "Esperamos, no dia 29, uma aprovação significativa, se não for de 100%", disse o executivo, em entrevista ao Broadcast Energia .

Na visão do executivo, há uma combinação de fatores que estaria estimulando os credores a considerar a condição de "credores, apoiadores, conversores". Além dos benefícios na forma de melhores taxas, prazos e remuneração, haveria uma maior confiança na companhia, a partir da sinalização dos acionistas de referência de aportar R$ 1 bilhão na empresa. "Os acionistas deram a sinalização clara que confiam na companhia, se comprometendo a colocar dinheiro novo, e a taxa melhor e essa confiança do acionista estimula ele, o credor, a converter", disse.

O aporte de capital, bem como a conversão de dívidas, estarão condicionados à renovação da concessão da distribuidora Light Sesa, uma operação que ainda depende de negociações com o Ministério de Minas e Energia. No entanto, sem um reequilíbrio econômico-financeiro da empresa, a Light não consegue um novo contrato, segundo preconiza o regulador.

O plano prevê um período de carência para início de pagamento das dívidas, mas um compromisso de pagamento integral para credores detentores de créditos de até R$ 30 mil dentro de 90 dias após a homologação do plano, limitado a R$ 300 milhões.

A Light está em recuperação judicial há um ano, desde 15 de maio de 2023. Somente após a potencial reestruturação da dívida é que a agência de classificação de riscos Fitch revisará os ratings da Light "com base na nova estrutura de capital, nas premissas atualizadas de desempenho operacional e nas expectativas em termos de flexibilidade financeira." No momento, a nota de crédito da empresa é "D", a mais baixa, que representa alto risco de inadimplência.

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