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Mercado

JBS (JBSS3) Resultado 1T24: forte incremento de rentabilidade

Confira abaixo o desempenho da JBS no 1T24 e o que esperar daqui para frente

Publicado por: Análise BB

conteúdo de tipo Leitura6 minutos

Atualizado em

15/05/2024 às 09:39


A JBS reportou fortes resultados no 1T24. A evolução operacional em quase todas as unidades de negócios – com destaque para Seara e USA Pork, a redução do consumo de caixa livre na comparação anual e a queda na alavancagem financeira foram os destaques positivos no resultado divulgado, que veio, inclusive, acima do consenso do mercado.

Desempenho das Ações e Perspectivas

As ações JBSS3 acumulam alta de quase 14% nos últimos 30 dias até ontem (14), com os investidores já precificando expectativas positivas para o resultado do 1T24, bem como perspectivas positivas para o restante do ano, com a companhia desfrutando da melhora do cenário de carne de frango e suína, bem como do ciclo pecuário favorável na América do Sul.

Apesar de o papel estar negociando próximo da sua máxima dos últimos 12 meses, consideramos que ainda há espaço a ser percorrido, diante do bom resultado reportado e as boas perspectivas. Nesse contexto, mantemos nossa recomendação de Compra e preço-alvo para o final de 2024 em R$ 32,00.

JBSS3 vs. Ibovespa (Gráfico Base 100)

Desempenho Econômico-financeiro

Seara. A receita manteve-se praticamente estável na comparação anual (-0,1%), mas com ligeira queda ante o trimestre anterior (-1,3%). Essa unidade de negócios destacou-se com um dos maiores crescimentos de margem EBITDA observado no trimestre, atingindo 11,6%, alta de 5,1 p.p. t/t e 10,1 p.p. a/a. O forte desempenho da operação foi fruto, principalmente, da normalização dos custos dos grãos e do crescimento nos volumes no mercado interno, reforçando as perspectivas positivas para o restante do ano.

JBS Brasil. A receita líquida atingiu R$ 14,2 bilhões registrando um expressivo crescimento de 16,7% a/a, reflexo dos maiores volumes vendidos em função do ciclo favorável pecuário que resulta em maior disponibilidade de animais para abate. Vale pontuar que a comparação anual também foi beneficiada pela retomada das exportações ao mercado chinês após um embargo ocorrido no 1T23. Já a margem EBITDA dessa unidade de negócios veio em 4,5% (+2,1 p.p. a/a e -1,3 p.p. t/t).

JBS Beef North America. Unidade cuja receita tem a maior representatividade no consolidado (cerca de 31% no 1T24), a JBS Beef North America reportou uma receita líquida de R$ 27,6 bilhões, alta de 1% a/a e queda de 11% t/t, dado ser um trimestre sazonalmente mais fraco. Apesar dessa unidade de negócios ainda ter reportado EBITDA Ajustado negativo, observou-se uma melhoria em relação ao trimestre imediatamente anterior. A rentabilidade dessa unidade segue pressionada pelo ciclo pecuário desfavorável na América do Norte, com a perspectiva de que os desafios permanecerão ao longo deste ano.

JBS Australia. A receita líquida somou R$ 7,1 bilhões, queda de 1,1% a/a e 16,4% t/t. Na comparação anual, o resultado inclui o impacto da apreciação de 5% do câmbio médio, aumento de 11% do volume vendido em bovinos e menor preço médio. Já a margem EBITDA Ajustada atingiu 8,6%, revertendo margem negativa observada no mesmo período do ano anterior em decorrência do menor preço de aquisição do gado diante de um ciclo pecuário mais favorável.

JBS USA Pork. A receita líquida manteve-se praticamente estável na comparação anual (+0,7%) e mostrou queda ante o trimestre anterior (-9,1%), também por conta de uma sazonalidade menos favorável neste trimestre. Em conjunto com a Seara, a JBS USA Pork destacou-se em melhoria de rentabilidade, com a margem EBITDA Ajustada atingindo 16,4% no 1T24, alta de 13,9 p.p. a/a e 7,1 p.p. r/e. O forte desempenho operacional refletiu (i) menor custo médio dos grãos; (ii) queda no preço médio do suíno; e (iii) contínuos esforços visando à ampliação do portfólio de valor agregado.

Pilgrim’s Pride. A receita liquida veio em R$ 21,6 bilhões, estável a/a (-0,2%) e com queda de 3,7% t/t. A receita proveniente dessa unidade teve a segunda maior representatividade no resultado consolidado (cerca de 24%), atrás apenas da JBS Beef North America, e contribuiu positivamente para a melhoria da rentabilidade, com sua margem EBITDA Ajustada vindo em 11,5% no trimestre, alta de 5,0 p.p. a/a e de 1,7 p.p. t/t. O incremento de margem EBITDA Ajustada foi fruto das maiores eficiências operacionais, melhoria dos fundamentos da indústria e evolução na categoria de produtos preparados, cujo valor agregado é maior.

Resultado Consolidado. Tudo considerado, a JBS reportou receita líquida de R$ 89 bilhões, -2,8% a/a e -7,5% t/t, lembrando que o 1º trimestre apresenta uma sazonalidade mais fraca em comparação ao último trimestre do ano.

O EBITDA Ajustado atingiu R$ 6,4 bilhões, crescimento de 197% a/a e de 26% t/t, com a margem EBITDA Ajustada alcançando 7,2% no trimestre (+4,7 p.p. a/a e +1,9 p.p. t/t). Na comparação anual, a única unidade a não contribuir para a elevação da rentabilidade operacional foi a JBS USA Beef North America. Ainda assim, vale pontuar que essa divisão mostrou melhoria de rentabilidade na comparação trimestral, sinalizando um progresso, ainda que tímido, diante de um cenário ainda desafiador.

Além de melhoria das margens operacionais, a companhia também reportou lucro líquido de R$ 1,6 bilhão, revertendo o prejuízo de R$ 1,4 bilhão observado no mesmo período do ano anterior.

Alavancagem Financeira. A JBS finalizou o trimestre com uma dívida bruta de R$ 96,6 bilhões e uma dívida líquida de R$ 79,3 bilhões, equivalente a 3,70x o EBITDA Ajustado dos últimos 12 meses, o que implicou em uma redução da alavancagem de 0,62x ante o trimestre imediatamente anterior.

Fluxo de Caixa Livre. Em relação à geração de caixa, pontuamos que as atividades operacionais geraram R$ 122 milhões neste trimestre em decorrência da melhora operacional observada em quase todas as unidades de negócios. Essa geração de caixa operacional, contudo, não foi suficiente para fazer frente aos investimentos e pagamentos de juros, o que implicou em um consumo de caixa livre de R$ 3,1 bilhões no 1T24.

Destaques 1T24

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