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Jalles (JALL3): Investor day e novo guidance: atualizando as estimativas, com novo preço-alvo de R$ 11,50 e recomendação de Compra

Daniel Cobucci, especialista do BB Investimentos, comenta destaques do Jalles day e atualiza as projeções e preço-alvo para a companhia.

Publicado por: Análise BB

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Atualizado em

11/07/2024 às 11:06


A Jalles promoveu, na semana passada, seu evento anual para investidores, com apresentações e painéis promovidos por seus diretores e especialistas do setor, ajudando a compreender a atuação da companhia, perspectivas agrícolas e as discussões mais relevantes sobre o arcabouço regulatório que vêm se desenhando para as políticas energéticas nacionais e os possíveis impactos de longo prazo. A discussão reforçou alguns dos pilares que fazem da Jalles uma das companhias de referência do setor, com produtividade agrícola acima da média setorial, contando com uma combinação de fortes investimentos em pesquisa e desenvolvimento em variedades de cana, mas também pelas boas práticas de irrigação, cultivo orgânico e controle biológico de pragas.

Neste relatório, iremos discutir alguns dos tópicos abordados no evento, além de trazer nossas novas estimativas, após a companhia ter divulgado novo guidance (projeções), apontando uma redução de ~8% nos investimentos para a próxima safra, ao passo em que também anunciou a conclusão da fábrica de açúcar na unidade Santa Victória, o que já deve permitir uma elevação da proporção de açúcar no mix produtivo, respondendo por um incremento de ~38% nas receitas com o adoçante, segundo nossas projeções. Interessante notar que a expansão foi para uma capacidade instalada de 20 mil sacas/dia, maior do que a previsão original de 15 mil sacas, e custando no total R$ 180 milhões, ante a previsão original de R$ 170 milhões.

Em resumo, entendemos que a Jalles segue com uma estratégia acertada, em um setor com boas perspectivas de expansão, como iremos discutir a seguir. Nosso novo preço-alvo é de R$ 11,50 para 2025e, mantendo a recomendação de Compra.

Transição Energética como impulsionador do setor

O presidente da Datagro e conselheiro da companhia, Plinio Nastari, fez algumas falas que merecem destaque dentro do painel “Transição Energética e o projeto do Combustível do Futuro: oportunidades para o setor sucroenergético”, dividindo em quatro principais elementos que compõe o arcabouço legal que deve ditar os rumos para a transição energética. A primeira abordagem foi sobre o Programa Mover, que substitui o Rota 2030, inserindo o vetor ambiental para discutir mobilidade, levando em consideração toda emissão de carbono na constituição do veículo, incluindo a origem da fonte energética e seus impactos, pensando também no descarte, em uma lógica circular que deve considerar as emissões “do poço à roda”. Considerando as diversas críticas ao modelo de transporte individual baseado em eletrificação, a vantagem competitiva que o Brasil possui em etanol e as emissões reduzidas do biocombustível, o cenário sugere um aumento da relevância do etanol na matriz energética. Em seguida, tratou-se do PL Combustível do Futuro, que define regras para o uso de biocombustíveis, incluindo o aumento da banda de mistura de etanol na gasolina, saindo de 27% para 30%, podendo chegar até 35%. Na mesma linha e de modo complementar, foi abordado o PATEN (Programa de Aceleração da Transição Energética), que incentiva investimentos em tecnologias que permitam a diversificação da matriz energética, favorecendo a integração de bioenergia e outras formas de energia limpa. Por fim, foi discutido o Renovabio, programa que busca favorecer a produção de biocombustíveis com a emissão dos CBIOs, ainda que venha sendo alvo de críticas devido ao descumprimento das metas por parcela relevante das distribuidoras de combustível, deixando com que as adimplentes acabem com uma condição menos favorável de disputa.

A companhia apontou no evento estar disposta a avaliar oportunidades com o etanol de milho, uma vez que as estruturas de custo têm indicado um bom potencial para tal fonte energética, considerando as projeções do painelista Tiago Medeiros, diretor da Czarnikow, que aponta cerca de ~R$ 1.700/m³ como custo do etanol de milho, comparado aos ~R$ 2.100/m³ do etanol de cana, apontando que as estimativas sugerem que o volume de etanol de milho deve dobrar nos próximos cinco anos, para 14 milhões de litros.

Mas, de acordo com a Jalles, esse é um plano de médio prazo, e que em tal horizonte também considera uma estratégia envolvendo outros produtos cuja demanda deve ser crescente e com sinergias para a Jalles, como biometano e SAF.

Outra frente trabalhada pela companhia no evento foi a de tecnologias e desenvolvimento agrônomo. Em seu Projeto de Agricultura 4.0, ficou mais claro o modelo que conta com mapas dinâmicos de produtividade, permitindo a customização do uso de insumos (NPK/vinhaça) de acordo com a necessidade de cada área. Além disso, o uso de drones de pulverização permite aplicações localizadas, mais direcionadas e em locais onde não seria possível fazer a dispersão com aviões.

A Jalles apresentou seus projetos de irrigação para a unidade Santa Vitória, bem como a instalação de uma torre de controle, medidas que esperamos resultar em maior produtividade, mais próxima da observada nas outras duas unidades da companhia.

Valuation e preço-alvo 2025e

Nossas estimativas para a Jalles resultam em um preço-alvo para 2025e de R$ 11,50 para JALL3. Nossa avaliação deriva de um método de fluxo de caixa descontado (DCF) de dez anos, assumindo um WACC em 10,9% e um crescimento na perpetuidade (g) de 3,5%.

A companhia divulgou também seu novo guidance, prevendo uma moagem da safra 2024/25 na ordem de 8.230 toneladas, um aumento de 12% a/a, com destaque para o ramp up da Usina Santa Vitória, que também teve inaugurada a sua usina de açúcar, o que aumenta a flexibilidade do mix produtivo, o que nos levou a projetar um aumento de 38% nas receitas com o adoçante, dados os bons preços já fixados pela política de hedge da companhia. As obras para implementação da usina de cana de açúcar foram concluídas em um prazo recorde, de sete meses, e a fixação de preços para essa produção já ter sido feita com as boas condições de preços observadas no ano passado foi um acerto por parte da companhia.

A Jalles é a maior exportadora de açúcar orgânico do mundo, além de produzir etanol e atuar nos mercados de cogeração de energia, produtos saneantes e levedura. Nossa tese de investimento para a companhia se baseia em: (i) ganhos de produtividade com as boas práticas de manejo, constante P&D para novas variedades e controle biológico de pragas; (ii) dinâmica de preços de açúcar sugerindo um viés de alta, com perspectivas de déficit global do adoçante em meio a clima desfavorável, agravado pelos fenômenos El Niño e La Niña; (iii) modesta retomada nos volumes de etanol no mercado doméstico, ainda que com preços reduzidos; e (iv) menores custos de fertilizantes e insumos, apesar do custo com mão de obra vir pressionando margens do setor.

Dentre os principais riscos que podem impactar nossas projeções, destacamos: i) Perdas decorrentes de condições climáticas adversas; ii) Queda significativa nos preços internacionais de açúcar; iii) Novas políticas e/ou intervenções dos principais produtores globais de açúcar, como Índia e Tailândia; iv) Redução em preços ou nos tributos de petróleo e de combustíveis líquidos, que possam afetar a competitividade do etanol; v) Incrementos substanciais de custos de produção, incluindo os custos de fertilizantes, fretes, logística e mão de obra; vi) Variações cambiais podem impactar a dívida da companhia, além das receitas em moeda estrangeira e a estratégia de hedge.

JALL3 vs Ibovespa

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