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Tecnologia

'IA vai servir ao nosso objetivo ou fará o que quiser?', diz Clara Durodié

Publicado por: Broadcast Notícias

conteúdo de tipo Leitura3 minutos

Atualizado em

10/06/2024 às 10:24

Estrategista em tecnologia especializada em negócios, riscos e geopolítica da inteligência artificial (IA) em serviços financeiros, Clara Durodié foi conselheira do Fórum Econômico Mundial, do Grupo Parlamentar Misto do Reino Unido, da comissão especial sobre o tema no Japão e é membro da Aliança de Inteligência Artificial da União Europeia. Ela esteve no Brasil para participar do MKBR, evento da Anbima e da B3, para convidados, no Teatro B32, em São Paulo.

Clara é autora do livro Decoding AI in Financial Services - Business Implications for Boards and Professionals (algo como "Decodificando a IA nos serviços financeiros - implicações de negócios para conselhos e profissionais), lançado em 2019 e que ganhará uma nova versão.

Apesar de acompanhar a evolução desta tecnologia há bastante tempo, ela diz que entramos num novo momento, com a IA ganhando mais autonomia. Para ela, é o momento de parar e avaliar tanto em que áreas adotar quanto na regulação do tema. "É caso de pensar: Vamos usar essa tecnologia para nossos objetivos ou deixá-la fazer o que quiser?", disse ela ao Estadão/Broadcast .

A sra. acompanha IA antes de todo o barulho sobre essa tecnologia. O que a sra. vê para o futuro?

O mais importante é olhar esse grande campo da IA e tentar entender, enquanto a tecnologia amadurece, para onde estamos indo. Na segunda edição do meu livro sobre inteligência artificial[ para pessoas não tecnológicas, quis explicar que esse campo deve ser entendido também do ponto de vista da busca pela sua própria autonomia. Até o ChatGPT e a IA generativa, usávamos a IA preditiva para classificação, engenharia de recomendação e assim por diante. Por exemplo, classificar se uma pessoa é ou não elegível para um empréstimo pessoal, um financiamento imobiliário ou uma hipoteca. Com a IA generativa, entramos no que eu chamo de inteligência artificial semiautônoma, com texto, discursos, vídeos, imagens e áudio. É a IA cognitiva, uma tecnologia que tem uma boa compreensão do contexto, habilidades de pensar, fazer planos, entre outras coisas. São ferramentas que estão sendo desenvolvidas, com um nível de autonomia bastante alto e que podem se engajar com outros agentes. É um novo mundo muito diferente, que nós não sabemos exatamente como será, porque nunca o experimentamos.

Quais os desafios na regulação de algo tão desconhecido?

No Reino Unido e na Europa, a IA preditiva foi muito adotada, em todos os tipos de funções e tarefas. Mas agora, como essa tecnologia se torna mais autônoma, ela pode mudar a natureza do que desempenha. Bem como será capaz de, em muitas formas, mudar e desafiar as exigências dos reguladores. Ao mesmo tempo que está ganhando mais autonomia, nós, humanos, não conseguimos exatamente explicar como ela toma algumas decisões. O regulador começará a fazer perguntas, não apenas sobre as decisões, mas também sobre a consistência dos resultados. Porque, com a IA generativa, nunca é certo se a mesma resposta será dada de novo e de novo. De uma perspectiva regulatória, isso é muito importante. Além disso, é essencial entender quais situações ou instâncias são elegíveis para adotar essa tecnologia.

Como assim?

Pode haver instâncias em que decidamos não adotar essa tecnologia porque ela não é confiável, não é adequada ou as regras não permitem espaço para resultados diversos. Precisamos entender o que a tecnologia pode fazer e então escolher o algoritmo certo e ter certeza de que ficamos dentro dos requisitos regulatórios.

A tecnologia vem sendo adotada sem que saibamos suas consequências?

A ingenuidade humana chegou a um nível tão alto que criamos algo que não conseguimos explicar como funciona. Quando a IA alucina, por exemplo, produz um resultado distante do que os reguladores realmente querem. Então, de novo, é caso de pensar: vamos usar essa tecnologia para nossos objetivos ou deixá-la fazer o que quiser?

Leia também: ChatGPT, Gemini e Copilot: como usar o IA no trabalho?

Isso diz respeito apenas a reguladores ou também a negócios?

Na segunda edição do meu livro, faço a seguinte pergunta: Quão lenta é sua estratégia de IA? Porque todo mundo está correndo atrás de seu uso, mas é preciso desacelerar e perguntar quais ferramentas cada tecnologia oferece e como aprender com cada uma delas. É preciso ser bastante seletivo de acordo com o objetivo de cada empresa. Na verdade, a grande pergunta a ser respondida é: Onde queremos ir, como negócio? A empresa quer crescer expandindo o número de seus clientes? Quer ir a outros países? O que faz como negócio para ser mais lucrativo? Uma vez que se entenda esse objetivo, é possível determinar se estou usando ou não a melhor tecnologia para me apoiar nessa meta. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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