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Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) 3T23: misto; avanços operacionais, mas ainda reportando prejuízo

BB analisa resultado do 3o TRI 2023. Avanços operacionais positivos, mas companhia ainda sente pressão decorrentes de eventos não recorrentes

Publicado por: Análise BB

conteúdo de tipo Leitura6 minutos

Atualizado em

22/01/2024 às 14:42


Consideramos o resultado do 3T23 reportado pelo GPA misto. Do lado positivo, pontuamos o crescimento das vendas mesmas lojas e aumento da participação dos formatos mais rentáveis nas vendas totais, contribuindo para ganho de rentabilidade da operação. Do lado negativo, contudo, entendemos que ainda há um longo percurso a ser percorrido para geração de caixa pela atividade operacional, redução do endividamento e elevação consistente de rentabilidade. Pesou sobre nossa avaliação os ajustes relacionados à venda do Grupo Éxito, que macularam o resultado líquido do período.

Desempenho das Ações e Perspectivas

As ações PCAR3 acumulam queda de 4,6% nos últimos 30 dias, acompanhando a desvalorização observada no setor de consumo no geral, diante das incertezas relacionadas ao ambiente macroeconômico doméstico e internacional, que resultaram na forte abertura da curva longa de juros. Em nossa visão, o prejuízo reportado neste trimestre deve continuar impactando a performance das ações no curto prazo. Conforme o Grupo mantenha o curso do turnaround, com a entrega de mais resultados positivos, as ações podem começar a reagir positivamente. Nesse sentido, mantemos nossa recomendação em Neutra no momento, apesar do potencial de valorização frente ao nosso preço-alvo para o final de 2024 de R$ 5,60.

Desempenho Econômico-financeiro

A receita líquida somou R$ 4,7 bilhões, crescimento de 9,7% na comparação anual e 3,8% abaixo das nossas estimativas. Destaque para o indicador de vendas mesmas lojas (SSS na sigla em inglês) para os formatos Pão de Açúcar (+7,2%) e Proximidade (+7,7%) mesmo em um cenário de deflação alimentar, sugerindo que as iniciativas trabalhadas pela companhia nos últimos trimestres vem surtindo efeito sobre as vendas. O crescimento das vendas também foi fruto da expansão, com a abertura de 17 lojas no formato Minuto Pão de Açúcar, 2 no formato Pão de Açúcar e 1 lojas no formato Mini Extra, além da conversão de todas as lojas Compre Bem para o formato Extra Mercado. Essa conversão visa unificar a proposta de valor do formato mainstream, de forma a agregar às lojas convertidas, principalmente, a ampliação de sortimento e o Cartão Extra com os benefícios a ele atrelados.

Já o lucro bruto totalizou R$ 1,2 bilhão, o que implicou em um ganho de 1,3 p.p. de margem bruta na comparação anual, em linha com as nossas estimativas (-0,1 p.p. r/e). Esse ganho refletiu (i) o ganho de participação da bandeira Pão de Açúcar nas vendas totais da companhia, (ii) melhora nas negociações comerciais; e (iii) redução da quebra.

Acompanhando o ganho de margem bruta, a margem EBITDA Ajustada atingiu 7,0%, alta de 1,2 p.p. a/a, e novamente em linha com as nossas estimativas (-0,1 p.p. r/e). Merece destaque o controle realizado nas despesas gerais e administrativas, que cresceram apenas 3,5% na comparação anual, mitigando o aumento das despesas com vendas como percentual da receita líquida (+0,3 p.p. a/a).

O resultado líquido da companhia, por sua vez, veio poluído por eventos não recorrentes. Por um lado, o resultado continuado contou com a contribuição de uma reversão de provisionamento de R$ 804 milhões de prejuízos acumulados da Cnova, em decorrência da proposta do Casino de comprar a participação detida pelo GPA na Cnova. Por outro lado, o resultado descontinuado foi prejudicado pela conclusão da segregação do Éxito, com a necessidade de ajustes que acumularam R$ 2,1 bilhões em despesas, relacionadas principalmente (i) à conversão do balanço em pesos colombiano entre o momento da aquisição até a perda do controle e (ii) à remensuração da parcela remanescente no montante líquido da baixa do investimento. Com isso, a companhia reportou um prejuízo consolidado de R$ 1,3 bilhão.

Considerando que os eventos não recorrentes acima mencionados não possuem efeito caixa, o fluxo de caixa livre da companhia neste trimestre foi de R$ 169 milhões, favorecido (i) pela melhora do fluxo de caixa operacional em R$ 296 milhões e (ii) pela entrada de recursos relacionados à venda de ativos no montante de R$ 461 milhões. Com o consumo de caixa em função do pagamento de juros sobre o endividamento (R$ 250 milhões), o GPA finalizou o trimestre com uma variação negativa no caixa de R$ 79 milhões.

A respeito do endividamento, observamos que houve uma redução de R$ 507 milhões da dívida bruta na comparação anual, permitindo que sua alavancagem financeira atingisse 2,5x o EBITDA Ajustado dos últimos 12 meses, ante 3,0x no 3T22.

Destaques 3T23

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