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Tecnologia

ETFs de cripto engatinham nos EUA, mas já há vários em negociação no Brasil

Com regulação aberta à inovação, Brasil foi pioneiro em fundos negociados em bolsa de criptomoedas

Publicado por: Broadcast Exclusivo

conteúdo de tipo Leitura3 minutos

Atualizado em

24/05/2024 às 16:55

Por Gustavo Boldrini e Gabriel Tassi Lara, do Broadcast

São Paulo, 24/05/2024 - A Securities and Exchange Comission (SEC), órgão que regula o mercado financeiro dos Estados Unidos, aprovou na noite desta quinta-feira (23) uma alteração que permite transações à vista de fundos negociados em bolsa (ETFs) de ethereum (ETH), a segunda criptomoeda mais negociada do mundo. A decisão se soma à aprovação, em janeiro, de ETFs ligados ao bitcoin, e representa um novo passo das criptomoedas rumo a uma maior aceitação no mercado institucional global.

Os fundos de investimento permitem aos investidores acessar essa criptomoeda sem precisar comprá-la diretamente, ampliando o perfil de investidores, incluindo aqueles que preferem operar em mercados tradicionais, destaca a COO da CryptoMKT, Denise Cinelli. Ela não escondeu sua surpresa com a aprovação pela SEC, ontem. "Na verdade, até a semana passada, na indústria pensávamos que seriam rejeitados pela SEC e a discussão se alongaria, ficando para o próximo ano, assim como aconteceu com o bitcoin. Estamos todos atentos, porque ainda existe a inquietação sobre se a SEC qualificará o ETH como uma mercadoria (commodity) ou um título de valor (security). Mas é inquestionável que é uma ótima notícia para toda a indústria", disse.

No Brasil, a negociação de ETFs ligados aos criptoativos é realidade desde 2021, quando o País se tornou o primeiro do mundo a realizar uma negociação de ETF ligado a criptomoedas. Um dos principais motivos é o aspecto de inovação da regulação brasileira no setor financeiro, reconhecida mundialmente.

No Brasil, ETF cripto não é novidade

Em 16 de março de 2021, foi aqui que ocorreu a primeira transação de um ETF cripto do mundo, quando o HASH11, da Hashdex, passou a ser negociado na B3.

Segundo dados da Bolsa brasileira, existem hoje 13 ETFs ligados a criptomoedas negociados no Brasil. No caso do ethereum, dois ETFs são negociados por aqui desde agosto de 2021: o QETH11, da QR Asset, e o ETHE11, da Hashdex.

Hoje, três anos após a primeira negociação do ETF HASH11 no Brasil, existem 27 ETFs ligados ao ethereum negociados em sete países do mundo, além de 32 ETFs de bitcoin à vista oferecidos e negociados em cinco mercados diferentes.

Regulação aberta à inovação

Segundo Samir Kerbage, CIO da Hashdex, a Comissão de Valores Mobiliárias (CVM) do Brasil tem sido aberta em relação aos criptoativos e à inovação nos últimos anos. Inclusive, ele avalia que a estrutura regulatória brasileira permite que ETFs sejam aprovados de forma mais célere do que nos EUA.

"Aqui, os ETFs seguem uma regra em que a CVM detalha o que espera ver de um fundo de índice listado no Brasil. Se o ativo seguir todas as regras, a CVM não tem por que rejeitar. Nos EUA, você tem que aprovar a listagem dos ativos e ali há critérios subjetivos", explica Kerbage. Ele cita entre alguns desses pontos prevenção a eventuais fraudes e manipulação de mercado, que cada gestora de fundo precisa endereçar.

Com isso, acrescenta o especialista, a avaliação sobre a aprovação de um ETF nos Estados Unidos pode estar mais sujeita a fatores políticos e à opinião pessoal dos dirigentes da SEC do que a critérios exclusivamente técnicos.

O arcabouço regulatório dos ETFs ligados às criptomoedas está presente na Resolução CVM 175/2022, conhecida como o Marco Regulatório dos Fundos de Investimento, especificamente no "Anexo Normativo V: Fundos de Investimento em Índice de Mercado (ETF)".

Em nota enviada ao Broadcast , a CVM afirmou que "é receptiva às novas tecnologias que contribuem e influenciam positivamente a evolução do mercado de valores mobiliários", e acrescentou que "os criptoativos podem atrair novos perfis de investidores e oportunidades diferenciadas de investimento para o mercado de capitais."

Leia também: Criptomoeda, token, NFT: conheça os termos para investir em criptoativos

Quais são as perspectivas para o ethereum?

Nos Estados Unidos, a aprovação dos ETFs de ethereum estava no radar dos investidores desde segunda-feira (20), o que levou o ativo a ter fortes altas ao longo dos últimos dias, subindo 30% na semana, de acordo com a Binance.

Especialistas e membros do mercado cripto veem a SEC mais tolerante com os criptoativos, o que deve abrir espaço para que cada vez mais players tradicionais do mercado financeiro entrem nesse mercado. Com isso, a tendência é um aumento de demanda pelo ETH.

"Uma vez que os ETFs começarem a ser negociados, isso deve criar demanda adicional significativa por ETH, e isso deve ser positivo para preços assim como foi para o bitcoin neste ano", afirma Samir Kerbage. Segundo ele, a gestora já observou um aumento da procura pelo seu ETF ETHE11 no Brasil ao longo da semana.

Nos cálculos da Hashdex, os fundos ligados ao ETH costumam ter um terço do patrimônio líquido dos fundos de BTC em países como Brasil e Canadá. Com isso, levando em conta que os ETFs de bitcoin registraram aportes de US$ 15 bilhões nos primeiros seis meses de vigência, a expectativa é que os ETFs de ethereum movimentem em torno de US$ 5 bilhões no mesmo período de tempo.

Qual é a diferença entre o ethereum e o bitcoin?

O ethereum tem uma diferença técnica em relação ao bitcoin, pois além de ser um criptoativo funciona também com uma plataforma de diversas aplicações financeiras, sendo que sua rede blockchain tem sido muito usada por grandes bancos e fundos de investimentos em operações de tokenização.

"Além de ter uma moeda própria, o ETH, na rede ethereum programadores podem criar outros ativos financeiros, como títulos que representam dívidas, ingressos, qualquer ativo que tenha um valor financeiro", explica Rodrigo Batista, CEO da Exchange de criptomoedas Digitra.com.

Aqui no Brasil, por exemplo, uma das aplicações da rede ethereum é para tokenizar ativos judiciais, como precatórios, dividindo-os em partes menores para que mais pessoas possam acessar esse mercado.

Batista acredita que as aprovações dos ETFs cripto nos EUA, tanto do bitcoin quanto do ethereum, devem facilitar o acesso de fundos de pensão e investidores institucionais a este mercado.

  • Os ETFs de ETH poderão ser negociados nas bolsas Cboe, Nasdaq e NYSE.

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