pessoa guardando moeda em cofre

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Deseconomês | O verdadeiro valor dos pequenos gastos

Entenda como pequenas coisas do dia a dia podem fazer a diferença no seu orçamento

Publicado por: Análise BB

conteúdo de tipo Leitura3 minutos

Atualizado em

09/07/2024 às 10:17

De grão em grão...

Há algum tempo, foi publicada uma matéria em um jornal de São Paulo dizendo que, em um ano, foram encontrados R$ 50 mil dentro dos trens e estações da CPTM (Companhia Municipal de Trens Metropolitanos). Desse montante, somente R$ 30 mil havia sido devolvido aos donos. Ou seja, ainda existem R$ 20 mil que ninguém voltou para procurar. Mas, calma. Isso não significa que algum distraído colocou R$ 20 mil no bolso, deixou cair e nem percebeu. Aí seria o cúmulo da distração, não é mesmo?

A maior parte do dinheiro encontrado é composta por moedas e notas de pequenos valores que, somadas, formam o montante citado na matéria do jornal. Provavelmente, para o acúmulo desses R$ 20 mil, tenha havido a contribuição involuntária de milhares de pessoas, dentre os mais de 800 milhões passageiros transportados anualmente nos trens da CPTM. É possível que grande parte das pessoas que colaborou para a formação daquele valor com uma moeda ou nota perdida sequer percebeu sua perda. Ou, pior, percebeu que deixou cair uma moedinha, mas não quis se dar ao trabalho de abaixar para procurar e, deliberadamente, desprezou e abandonou aquele dinheirinho. Afinal, com uma moeda de R$ 0,10 não dá pra comprar nada. Logo, “ela não tem valor”, poderia ter pensado o dono.

A verdade é que a maioria das pessoas não dá importância para pequenos valores e esse é um grande erro financeiro. Afinal, assim como para percorrer a distância de um quilômetro você tem que começar dando o primeiro passo, ainda que ele tenha apenas 30 centímetros, para acumular um valor suficiente para atingir seus objetivos, você tem que começar a poupar a partir de agora, ainda que sejam apenas centavos.

É de grão em grão que a galinha enche o papo, já dizia minha avó.

animal galo em fundo azul

Agora, imagine se aqueles passageiros que abandonaram suas moedas no trem soubessem que, caso esse dinheirinho desprezado tivesse sido tratado com carinho e respeito e somado a outros tantos dinheirinhos desprezados, durante um certo período, hoje poderia ter se transformado em R$ 20 mil. Isso poderia representar a realização de um sonho, como uma viagem com a família, o pagamento de uma dívida que está incomodando, a compra de móveis novos para casa. Nenhuma dessas coisas dá para se comprar com R$ 0,10, mas com R$ 20 mil, dá.

Tanta gente diz que não consegue poupar e investir porque “não sobra” dinheiro para essa finalidade, mas não se dá conta dos pequenos valores desprezados no dia a dia que poderiam representar a realização de sonhos no futuro. E não estamos falando apenas das moedinhas perdidas no trem. São os pequenos gastos diários, muitos desnecessários e que, às vezes, estão tão incorporados na rotina que nem percebemos mais. Como aquele troco que nos devolvem em bala na padaria, aquele iogurte na geladeira que venceu e ninguém comeu, ou o desconto que esquecemos de pedir no restaurante que frequentamos.

Algumas mudanças na rotina, com um olhar mais cuidadoso para os pequenos gastos, podem fazer milagres no orçamento. Vamos a um exemplo. Você deve conhecer alguém no trabalho, na faculdade, ou no seu círculo de amigos que costuma sempre tomar uma bebida junto com a comida na hora do almoço. No meu caso, é um colega que trabalha comigo, o Jorge. Ele sempre pede um refrigerante para acompanhar sua refeição. Uma lata de refrigerante custa, em média, R$ 5. Ou seja, quase nada. Mas, quando consideramos o consumo de um refrigerante por dia, ao longo de um ano (descontados finais de semana e férias), percebemos que o gasto total seria de R$ 1.100. Como Jorge tem esse hábito desde que começou a trabalhar na empresa, há 15 anos, nesse período ele já teria gastado R$ 16.500 só em refrigerante.

Caso tivesse deixado de comprar o refrigerante e aplicado esse valor mensalmente, ao longo desses 15 anos, com a ajuda da mágica dos juros compostos, imagina o valor que Jorge poderia ter guardado hoje... Mas, veja bem: esse é apenas um exemplo de pequeno gasto que poderia se tornar um investimento. Cabe a você avaliar quais são suas prioridades e quais cortes você pode e deve fazer, de forma consciente, identificando as oportunidades de economia em seu orçamento, combinado?

Quantas moedinhas nós esquecemos pelo caminho? Quantos pequenos gastos desnecessários poderiam ser eliminados de nossas vidas? Quantos sonhos deixamos de realizar por não entendermos o verdadeiro valor dos pequenos gastos? Pense nisso...

*Texto de Andrea Rodrigues Fortunato, funcionária do BB.

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