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Quero aprender

Como fazer da mesada um instrumento de educação financeira

Mesada pode ajudar os pais na tarefa de ensinar finanças aos filhos desde cedo

Publicado por: Broadcast Exclusivo

conteúdo de tipo Leitura5 minutos

Atualizado em

08/07/2024 às 10:36

Por Gustavo Boldrini, do Broadcast

Os pais e mães brasileiros têm entendido cada vez mais a importância de se falar sobre dinheiro com as crianças. Segundo uma pesquisa do Serasa em parceria com a Opinion Box, 85% dos pais entrevistados afirmaram conversar sobre educação financeira com seus filhos, ainda que 67% deles já tenham ficado com o nome sujo alguma vez na vida e 66% tenham atrasado o pagamento de alguma conta.

Além de conversar sobre o tema, especialistas recomendam o uso de ferramentas práticas para ensinar educação financeira para crianças. Uma porta de entrada para as finanças é a mesada - ou semanada, de acordo com a preferência dos pais na distribuição do dinheiro aos filhos. O intuito é ajudar as crianças a se acostumarem a lidar com o dinheiro e adquirir noções básicas de investimento, como o hábito de poupar, e quando for gastar, que seja de forma objetiva, diferenciando necessidades e desejos.

A escritora e especialista em educação financeira Cássia D'Aquino vê a mesada como parte das bases que vão compor o conhecimento daquele futuro adulto em relação às finanças, ajudando a evitar problemas ao longo da vida. "Não se trata de transmitir conceitos financistas à criança, que pretendam fazer dela alguém experiente e especialista em dinheiro, mas é justamente ir dando condição para que a criança e adolescente vá construindo uma relação responsável com o dinheiro", afirma.

Quando é indicada mesada ou semanada?

Como os nomes já indicam, mesada significa um pagamento mensal feito pelos pais à criança ou adolescente, enquanto a semanada é um pagamento semanal. Para Arethuza Zero, doutora em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp e fundadora da consultoria Educa Financeira, a mesada é indicada para crianças a partir dos 12 anos. Antes disso, o ideal é a semanada.

"Um pré-adolescente a partir dos 12 anos já tem noção temporal, ela sabe que o dinheiro é para o mês. Abaixo dos 12 anos, é mais difícil essa noção do tempo, por isso é indicada a semanada. Se a criança gastar todo dinheiro, foi apenas naquela semana", recomenda a especialista.

Mesada pode ser usada como motivação ou punição?

É comum ver pais utilizando a mesada como instrumento de incentivo ou punição. Por exemplo, pagando seus filhos somente se eles tiverem boas notas ou arrumarem seu quarto, e deixando de pagar caso eles façam algo de errado. Para Arethuza Zero, essa visão é equivocada.

"A mesada é um instrumento de educação financeira para ensinar seu filho a lidar com o dinheiro, e não uma barganha nem instrumento de punição", afirma. Ela ressalta que se trata de um instrumento para desenvolver na criança um senso de responsabilidade e cuidado.

"A criança mora numa casa, então cuidar do seu quarto é obrigação, assim como se esforçar para ir bem na escola também", acrescenta.

A mesada precisa ter data fixa de pagamento, como um salário?

Sim, as especialistas recomendam que os pais definam uma data para fazer o pagamento, seja ele mensal ou semanal. A data deve ser cumprida, para fazer com que a criança se acostume e crie uma rotina de orçamento.

Cássia D'Aquino destaca o compromisso que tanto a semanada quanto a mesada exigem dos pais. "Elas são uma coisa difícil e chata de ser aplicada, exige compromisso grande dos pais, e nem todos estão dispostos a isso", afirma.

Segundo ela, a mesada e a semanada são uma maneira de se educar as crianças, entre dezenas de outras. Mas que, se bem aplicada, funciona como uma "arena de ensaio" para evitar que essas crianças, quando chegam à vida adulta, cometam erros. "Uma mesada ou semanada bem dada permite que a criança vá fazendo experimentos com pequenas quantias, errando e aprendendo a desenvolver um pequeno orçamento, com as escolhas que ela faz num terreno de escassez. Podendo cometer erros com quantias pequenas, ela vai aprender a evitar erros na vida adulta com quantias maiores", diz.

Gastos extras devem fazer parte da verba da mesada?

A mesada também pode ensinar a importância do planejamento financeiro e de poupar para realizar sonhos. "A mesada e a semanada devem atender tanto à necessidade das crianças exercitarem suas escolhas de consumo e como ao exercício de objetivos de curto prazo com esse dinheiro. Isso ajuda a desenvolver uma mentalidade poupadora, ao mesmo tempo que mostra a importância de gastar bem", diz Cássia D'Aquino.

Outra dica das especialistas para ajudar as crianças a exercitarem suas capacidades de consumo consciente é levá-las ao supermercado para fazer compras, com uma lista em mãos, ajudando a desenvolver a capacidade de comparar preços e marcas, e tomar decisões com base no dilema entre o que é desejo e o que é necessidade.

A importância dos exemplos

Quem tem filhos sabe o quanto os exemplos dentro de casa são importantes na educação. Em educação financeira não é diferente. O ideal é que os pais deem exemplo de consumo consciente e de poupança.

No entanto, como a pesquisa do Serasa mostra, nem sempre o cenário ideal acontece. Ainda que 85% dos pais falem sobre educação financeira com as crianças, 67% já tiveram o nome sujo alguma vez na vida.

Isso significa que as crianças estão condenadas a repetir maus comportamentos financeiros por parte dos pais? Segundo especialistas, não. "Claro que o ideal é que os pais tenham comportamento em relação ao dinheiro que seja norteador para a criança, mas caso esses pais tenham dificuldades com isso, é preciso abrir o jogo e serem honestos, explicarem que cresceram numa condição diferente, com uma educação diferente. Por fim, quando as crianças são educadas financeiramente, os pais acabam ficando mais atentos", diz Cássia D'Aquino.

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