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Mercado

Como a alta dos Treasuries nos EUA afeta a Bolsa brasileira

Alta dos juros de mercado nos EUA tem afetado ativos de risco em todo o mundo

Publicado por: Broadcast Exclusivo

conteúdo de tipo Leitura3 minutos

Atualizado em

29/05/2024 às 14:54

Por Gustavo Boldrini, do Broadcast

O Brasil iniciou em agosto um ciclo de baixa na taxa básica de juros (Selic), o que, em teoria, poderia levar o Ibovespa a uma escalada rumo à faixa de 130 mil a 140 mil pontos. Mas não foi o que aconteceu. As incertezas externas reavivadas principalmente em decorrência da disparada dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos começam a colocar sob revisão as projeções otimistas para o índice de referência da Bolsa brasileira neste ano.

Este cenário já turvo ganhou nas últimas semanas um ingrediente extra: o conflito entre Israel e Hamas, que já deixou milhares de pessoas mortas, e pressiona o petróleo para perto de US$ 90 o barril. Isso tende a elevar a possibilidade de políticas monetárias restritivas por mais tempo do que o imaginado ao redor do mundo, deixando o Banco Central brasileiro "solitário" no ciclo de queda de juros.

Mas, afinal, por que os Treasuries estão subindo e por que isso afeta a Bolsa brasileira?

Como os Treasuries afetam a Bolsa?

Os Treasuries são os títulos de dívida da maior economia do mundo, que emite a moeda de referência do comércio global. Só isso já é suficiente para entender por que esses ativos são conhecidos como os mais seguros do mundo. Afinal, o risco dos Estados Unidos darem um calote é remoto, mas não impossível.

Em momentos de incerteza do mercado, é natural que investidores busquem a proteção nos Treasuries. Isso faz com que a renda variável receba menos recursos, já que a renda fixa estará pagando um prêmio interessante em um ativo de baixo risco. Assim, as bolsas perdem tração, tanto em Nova York quanto aqui.

Por que os Treasuries estão em alta?

Na última segunda-feira, os rendimentos dos Treasuries de 10 anos, os títulos mais líquidos do Tesouro americano, chegaram à marca dos 5%, o nível mais alto desde 2007. Como pano de fundo, estão preocupações com a sustentabilidade fiscal dos EUA e com a inflação, bem como os próximos passos da política monetária no país frente à resiliência econômica e o aumento dos riscos geopolíticos com a guerra no Oriente Médio.

No âmbito fiscal, o governo do democrata Joe Biden tem sido marcado por dificuldades de aprovação de gastos públicos na Câmara dos Representantes, dominada pela oposição republicana. Em maio, a Casa Branca e os republicanos costuraram um acordo para elevar o teto da dívida americana, evitando um calote na dívida soberana do país. Depois, em setembro, houve dificuldade para aprovar o orçamento do governo para o ano fiscal que se iniciou em 1º de outubro, o que trouxe o risco de uma paralisação de alguns serviços estatais nos EUA, o chamado shutdown. No fim das contas, o governo e a oposição conseguiram fechar um acordo para o tema.

Entenda: Alta recente dos Treasuries atrapalha captação externa por empresas

Qual a perspectiva para a taxa de juros dos EUA?

A expectativa de analistas majoritária é de que o Federal Reserve, banco central dos EUA, deva manter a taxa de juros do país em patamar elevado por um período mais longo de tempo. Isso porque dados da economia americana têm mostrado resiliência, mostrando que a alta dos juros ainda não desacelerou a atividade. Com isso, ainda há risco de pressões inflacionárias, já que uma atividade econômica mais aquecida significa maiores salários, mais gastos e mais consumo.

O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos cresceu ao ritmo anualizado de 4,9% no terceiro trimestre de 2023, ficando acima da mediana de expectativas de analistas consultados pelo Projeções Broadcast , de alta de 4,5%.

Para a consultoria britânica Capital Economics, o número indica que o Fed deverá se esforçar mais para desacelerar a demanda em busca do controle da inflação. Para o banco CIBC, o dado valida a expectativa por uma alta final de 25 pontos-base nos juros americanos pelo Fed em dezembro. No momento, o consenso do mercado na leitura da plataforma CME Group, de quase 100%, ainda aponta para a manutenção dos juros na reunião da próxima quarta-feira, 1 de novembro.

O que esperar para o Ibovespa nos próximos meses?

Algumas instituições financeiras ainda mantêm suas expectativas otimistas para o Ibovespa, esperando que o índice atinja algo em torno de 140 mil pontos no fim de 2023, mas já não escondem que o número pode terminar em menor nível não só neste ano, mas também no seguinte. Com uma política monetária apertada no exterior, o espaço para cortes de maior intensidade da taxa Selic tende a diminuir, além do risco de um eventual ciclo de queda menor.

Para 2024, segundo a última pesquisa do Bank of America junto a gestores brasileiros, a maior parte dos entrevistados esperava o Ibovespa entre 130 mil pontos e 140 mil pontos, colocando como maior risco a este cenário um aumento dos juros americanos.

Segundo analistas do BB Investimentos, o foco de atenção do mercado nos próximos meses está dividido em quatro fatores: até onde vão as taxas de juros americanas, até onde vai o ciclo de queda da taxa Selic por aqui, as possibilidades de o governo brasileiro atingir o déficit zero das contas públicas em 2024 e a evolução da economia chinesa nessa reta final do ano, com seus impactos nos preços das commodities.

"A nossa visão para Bolsa no recorte de médio e longo prazo é positiva. Existe ainda espaço para alguma realização do índice, mas abre oportunidade de investidores fazerem posições compradas em renda variável", avalia Wesley Bernabé, head de research do BB Investimentos.

O preço-alvo atual do BB-BI para o Ibovespa ao final de 2023 é de 127 mil pontos, mas a medida também está em revisão.

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