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Com aprovação de ETF cripto nos EUA, o que muda para os investidores?

Aval de órgão regulador do mercado de capitais dos EUA para ETFs de bitcoin deve trazer mais recursos para este mercado, segundo especialistas

Publicado por: Broadcast Exclusivo

conteúdo de tipo Leitura6 minutos

Atualizado em

15/01/2024 às 19:40

Por Gustavo Boldrini, do Broadcast

A emissão dos primeiros fundos negociados em bolsa (ETFs) de bitcoin, após meses de especulações, foi aprovada pela Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado de capitais nos Estados Unidos, na última quinta-feira (11).

Foram 11 pedidos aprovados, e há outra dezena em análise pela SEC, a fim de criar condições de concorrência "igualitárias entre emissores" e promover a concorrência para beneficiar investidores e o mercado em geral, como pontuou o órgão na ocasião.

Apesar de ter um mercado menor que o americano, pode-se dizer que o Brasil está bem à frente dos EUA quando o assunto é abertura para os criptoativos. O primeiro ETF ligado a criptomoedas lançado no Brasil, o Hashdex Nasdaq Crypto Index, ou HASH11, começou a ser negociado em abril de 2021. Trata-se de um ETF regulado que acompanha o índice da bolsa Nasdaq referente às criptomoedas.

Um dos ETFs aprovados pela CVM americana na semana passada, inclusive, é gerido pela própria Hashdex. Também foram aprovados fundos negociados em bolsa de companhias como BlackRock, Grayscale e Bitwise.

Mas, afinal, o que essa aprovação muda para o investidor brasileiro de criptomoedas e para o mercado em geral? Vamos por partes:

O que muda com a aprovação dos ETFs nos EUA?

O mercado financeiro americano é o maior e mais importante do mundo. Com isso, abre-se mais uma ligação entre o mundo dos criptoativos e o mercado tradicional.

Vale lembrar que um ETF nada mais é do que um fundo negociado em bolsa. O modo de investir é semelhante a se aplicar recursos numa ação. Ou seja, qualquer pessoa com conta em uma corretora ou banco de investimento pode procurar o código (ticker) referente àquele ETF e comprar cotas.

Antes, para se expor a uma criptomoeda como bitcoin ou ethereum, o investidor precisava ter uma conta em uma corretora específica deste mercado e comprar diretamente a moeda. Com o ETF, é possível se expor a criptoativos via mercado regulado, ou seja, a Bolsa.

"É um marco importante, porque você conecta de forma mais forte o mercado tradicional ao mercado cripto e facilita a exposição a ativos como o bitcoin para um público grande", explica Bruno Diniz, sócio-fundador da consultoria Spiralem e professor de Inovação Financeira de cursos de MBA da Universidade de São Paulo (SP). Esse público é o investidor pessoa física, mas principalmente o institucional, como bancos e fundos de pensão. "Em muitas ocasiões, grandes fundos de pensão não podiam comprar bitcoin devido a algum regulamento. Agora, eles podem ter exposição a essa classe de ativos através de um instrumento tradicional do mercado, que é o ETF", comenta Diniz.

Para Courtnay Guimarães, CTO da fornecedora de serviços digitais Avanade, a aprovação dos ETFs também ajuda a reduzir riscos.

"O risco de contraparte, isto é, instituição na qual você confia para cuidar dos seus investimentos, passa a ser visto como menor, uma vez que você esta confiando nos mesmos players formais, que são os bancos", afirma o especialista. Sem o ETF, observa ele, o investidor teria de comprar o ativo em si, no mercado direto ou de corretoras cripto, que não contam com as mesmas regras e rigor do mercado de investimentos tradicional.

Qual o impacto para o investidor brasileiro de criptomoedas?

Hoje, de acordo com o boletim de ETFs da B3 de dezembro de 2023, existem 26 ETFs ligados a criptoativos negociando na Bolsa brasileira, transacionando bitcoin, ethereum, DeFis, etc.
Os fundos cripto no Brasil têm sua comercialização regulada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Inclusive, os criptoativos e títulos a eles atrelados estão presentes na edição feita pela CVM da sua norma 175, que dispõe sobre os fundos de investimento negociados no Brasil, em 2022.

Para João Marco Cunha, diretor de gestão da Hashdex, a aprovação dos ETFs nos Estados Unidos deve trazer "um choque positivo de demanda", tanto para os próprios fundos negociados em bolsa quanto para as criptomoedas negociadas nas corretoras próprias deste mercado, conhecidas como exchanges.

"Um fato muito comumente observado com criptoativos menores são fortes valorizações após a listagem em exchanges relevantes, uma vez que isso abre a possibilidade de um público grande acessar esse produto. Guardadas as devidas proporções, a aprovação (do ETF bitcoin) é como se o bitcoin fosse listado numa mega exchange, que são as bolsas de ações dos EUA", explica Cunha.

O aumento da liquidez inerente à aprovação dos ETFs nos Estados Unidos pode favorecer os fundos listados no Brasil principalmente pelo lado dos custos, aponta Courtnay Guimarães, da Avanade. "Se os ETFs tiverem mais custo-benefício, teremos mais liquidez". Tudo, porém, vai depender do preço do bitcoin e da configuração dos ETFs, acrescenta.

Investir no mercado de criptomoedas é seguro?

Acontecimentos como a falência da exchange de criptoativos FTX em 2022 e notícias envolvendo golpes em corretoras cripto podem deixar algumas pessoas com um pé atrás em relação às criptomoedas. Para os especialistas, porém, essas preocupações tendem a se reduzir, conforme o mercado financeiro tradicional inclui os criptoativos em seu portfólio.

"Está havendo um processo regulatório, no Brasil e no mundo, em relação às criptomoedas, que vai trazer um nível de exigência maior. Notícias como a aprovação dos ETFs nos EUA são históricas, pois tiram do obscurantismo a criptomoeda e trazem para o dia a dia do investidor médio, aumentando a confiança e facilitando a aquisição da exposição ao bitcoin. Ou seja, retira-se algumas camadas de complexidade deste o mercado", avalia Bruno Diniz, da Spiralem.

Ainda assim, é preciso separar bitcoin de ETF no aspecto institucional. Em comunicado na ocasião da aprovação do ETF, o presidente da SEC, Gary Gensler, pontuou que, apesar do aval para a negociação desses fundos, a instituição não "aprova, tampouco endossa o bitcoin".

Cunha, da Hashdex, alerta que as criptomoedas costumam ser ativos de forte volatilidade, ou seja, ter grandes oscilações de alta e de baixa. Isso significa que, geralmente, o investidor com parte da sua carteira exposta aos criptoativos precisa ficar bem atento ao noticiário deste universo e às oscilações.

"A cripto requer um acompanhamento mais frequente da carteira e mais rebalanceamentos. Isso implica em comprar mais quando está caindo e vender quando está subindo. Muitas pessoas que investem por conta própria acabam fazendo o contrário", explica Cunha. Segundo ele, em geral, a recomendação da Hashdex é que o investidor aloque entre 1% e 5% do seu patrimônio em cripto.

O próprio evento da aprovação dos ETFs ilustra essa volatilidade das criptomoedas. Logo quando saiu a nota oficial da SEC, o bitcoin chegou a disparar e atingir o patamar de US$ 49 mil pela primeira vez desde dezembro de 2021. Desde sexta, a euforia passou, e já há uma realização de lucros na criptomoeda, que nesta segunda-feira pela manhã operava na casa dos US$ 42 mil.

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