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Mercado

BRF (BRFS3) Resultado 1T24: ganho de rentabilidade e menor patamar de alavancagem financeira em 8 anos

A BRF apresentou números fortes no 1T24, na toada da recuperação dos preços de frango in natura combinado à queda dos custos

Publicado por: Análise BB

conteúdo de tipo Leitura6 minutos

08/05/2024 às 15:33

Atualizado em

13/05/2024 às 16:33


A BRF reportou números sólidos neste 1T24. A recuperação dos preços de frango in natura nos mercados interno e externo combinado à queda dos custos de grãos e óleos e aos ganhos obtidos pelo Programa de Eficiência permitiram à companhia reportar forte margem EBITDA Ajustada, lucro líquido e geração de caixa, o que contribuiu para que sua alavancagem financeira atingisse o menor patamar dos últimos 8 anos.

Desempenho das Ações e Perspectivas

Apesar da forte queda observada na semana passada, com o mercado tentando precificar o impacto das enchentes no RS, as ações BRFS3 vêm se destacando com performance bastante superior à do Ibovespa em 2024, refletindo o otimismo dos investidores com a tese de investimento da BRF, combinando um cenário mais favorável em termos de preços e custos em comparação ao ano anterior e os frutos a serem colhidos do trabalho em ganho de eficiência ao longo deste ano, além da ampliação de habilitações de plantas para exportação.

Em nossa visão, o resultado do 1T24 veio acima do consenso do mercado, o qual já contemplava uma visão positiva. Nesse sentido, esperamos que os números divulgados repercutam positivamente no desempenho das ações, assim como já observado no pregão de hoje (8). Contudo, dado o fato de o preço corrente já ter superado nosso preço-alvo, mantemos nossa recomendação em Neutra até incorporarmos os resultados mais recentes em nosso valuation.

Destaques operacionais e financeiros

Gráfico Base 100

Desempenho Econômico-financeiro

Segmento Brasil. A receita líquida veio em R$ 6,2 bilhões, retração de 4,0% na comparação anual e de 16,6% ante o trimestre imediatamente anterior, período em que os itens comemorativos de final de ano colaboram para uma sazonalidade positiva. Destaque para a elevação da margem EBITDA Ajustada em 7,1 p.p. a/a (-0,5 p.p. t/t), beneficiada pela redução do custo/kg em 12,1% como resultado da queda do custo dos grãos e óleos, além da captura de ganhos provenientes da implementação do Programa de Eficiência BRF+ ao longo de 2023, o que já resultou na evolução dos indicadores de conversão alimentar e de mortalidade de frangos e suínos.

Segmento Internacional. Ao contrário do Segmento Brasil, a receita líquida proveniente das operações internacionais cresceu 5,5% a/a e 4,4% t/t, favorecida pela alta nos preços médios em ambas as comparações. Assim como no Segmento Brasil, a margem EBITDA Ajustada foi um destaque, atingindo 16,9% no trimestre, 18,6 p.p. superior a/a e 5,8 p.p. t/t. Além da contribuição positiva proveniente da redução do custo/kg de 13,6% a/a, o resultado operacional vem se beneficiando da recuperação de preços em diversos destinos de vendas e do aumento considerável nas habilitações de plantas para exportação. A esse respeito, pontuamos que a companhia conquistou 25 novas habilitações só no 1T24.

Outros Segmentos. A receita líquida somou R$ 730 milhões, alta de 15,8% a/a, mas queda de 13% t/t. A companhia assinalou a redução do volume de vendas no segmento Ingredientes, em linha com a sua estratégia de reduzir produtos disponíveis para esse segmento em favor das vendas do portfólio core. Já em Pet Food, foi dado início ao mapeamento das frentes que serão priorizadas no programa de eficiência com o objetivo de consolidar a gestão operacional e alavancar vendas. No que se refere à rentabilidade, a divisão “Outros Segmentos” reportou margem EBITDA Ajustada de 10,7%, queda de 8,1 p.p. a/a e 1,0 p.p. r/e, refletindo a forte alta do custo/kg na comparação anual (+41%).

Resultado Consolidado. A receita líquida totalizou R$ 13,4 bilhões, praticamente estável na comparação anual (+1,5%). A retração de 2,0% no volume de vendas foi compensada pela evolução do preço médio de venda (+3,5% a/a) em decorrência da recuperação do mercado de proteína in natura após o cenário de sobreoferta global, que pressionou os preços durante a maior parte do ano de 2023. Na comparação trimestral, a retração de 7,3% da receita líquida é explicada pelo efeito sazonal dos itens comemorativos de final de ano, que contribuíram positivamente no volume de vendas do 4T23.

O lucro bruto cresceu 92,7% a/a ( +1,0% t/t) e somou R$ 3,2 bilhões no trimestre, favorecido pela retração do custo/Kg de 10,0% a/a, refletindo a queda do preço dos grãos e dos óleos usados como matéria-prima nas margarinas, além dos efeitos do programa de eficiência BRF+.

Refletindo o ganho obtido na redução dos custos, a EBITDA Ajustado atingiu R$ 2,1 bilhões, crescimento de 248,8% a/a e 11,2% t/t, com a margem vindo em 15,8%, alta de 11,2 p.p. a/a e 2,6 p.p. t/t, mesmo com a elevação das despesas com marketing no trimestre.

Por fim, a companhia apresentou lucro líquido de R$ 594 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 1,0 bilhão reportado no 1T23, favorecido não apenas pela melhora da rentabilidade operacional, mas também pela redução do resultado financeiro líquido em 37,5% como reflexo da elevação do caixa, redução das despesas com juros e redução dos custos de hedge. Já na comparação trimestral, o lucro líquido encolheu 21,3%, em função da redução da contribuição positiva advinda de variações cambiais (efeito não caixa) ante o trimestre imediatamente anterior.

**Alavancagem financeira. **A BRF finalizou o trimestre com um endividamento bruto de R$ 19,4 bilhões e uma dívida líquida de R$ 9,0 bilhões, cerca de 40% inferior na comparação anual. A alavancagem financeira atingiu 1,45x, menor patamar dos últimos 8 anos.

**Fluxo de Caixa. **A companhia gerou R$ 1,9 bilhão na atividade operacional, parcialmente consumido pelas atividades de investimento (R$ 448 milhões) e pelas atividades de financiamento (R$ 1,4 bilhão), o que implicou na geração de R$ 101 milhões em caixa, que somados a R$ 203 milhões em variação cambial, totalizaram a adição de R$ 303 milhões ao caixa da companhia no trimestre.

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Este é um relatório público e foi produzido pelo BB-Banco de Investimento S.A. (“BB-BI”). As informações e opiniões aqui contidas foram consolidadas ou elaboradas com base em informações obtidas de fontes fidedignas e de boa-fé, tendo sido tomadas medidas razoáveis para assegurar sua exatidão no momento de publicação. Contudo, o BB-BI não garante que tais dados sejam totalmente isentos de distorções e não se compromete com a veracidade dessas informações. Todas as opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e derivam do julgamento de nossos analistas de valores mobiliários (“analistas’), podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio. O BB-BI não garante o lucro e não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas nesse material, que tem por finalidade apenas informar e servir como instrumento que auxilie a tomada de decisão de investimento, não devendo ser  interpretado como material promocional, recomendação, oferta ou solicitação de oferta para comprar ou vender quaisquer títulos e valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros. Investimentos nos mercados financeiros e de capitais estão sujeitos a riscos de perda superior ao capital investido. A rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Nos termos do art. 22 da Resolução CVM 20/2021, o BB-BI, em conjunto com o Conglomerado Banco do Brasil S.A. (“Grupo”), declaram que (i) podem ser remunerados por serviços prestados ou possuir relações comerciais com a(s) empresa(s) analisada(s) neste relatório ou com pessoa natural ou jurídica, fundo ou universalidade de direitos, que atue representando o mesmo interesse dessa(s) empresa(s); (ii) podem possuir participação acionária direta ou indireta, igual ou superior a 1% do capital social da(s) empresa(s) analisada(s), e poderão adquirir, alienar ou intermediar valores mobiliários da(s) empresa(s) no mercado. 

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