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Tecnologia

BB inicia simulações de uso de Drex para funcionários e prevê pagamento offline

Publicado por: Broadcast Exclusivo

conteúdo de tipo Leitura3 minutos

Atualizado em

26/06/2024 às 16:38

Por Matheus Piovesana e Luana Pavani, do Broadcast

São Paulo, 26/06/2024 - O Banco do Brasil começou a testar um simulador de operações com o Drex, a versão digital do Real, que será utilizado pelos funcionários de áreas de negócio. De acordo com o banco, a plataforma vai permitir a simulação da emissão, do resgate e da transferência de Drex, além da realização de operações com títulos públicos federais tokenizados.

Serão três os perfis: clientes, para operações entre clientes pessoas físicas ou jurídicas; instituição financeira, para operações entre contas do BB e de outros bancos; e TPFt, para os títulos públicos. Após escolher o perfil, o usuário seleciona a operação que fará.

O simulador servirá para que os funcionários do banco compreendam melhor como funcionará a moeda digital, que atualmente está em fase de testes. O BB é uma das instituições que fazem parte do piloto do Drex, comandado pelo Banco Central.

"A familiaridade com esses procedimentos é importante, pois, para acessar a plataforma Drex, os usuários precisarão de um intermediário financeiro autorizado", diz o diretor de Tecnologia do BB, Rodrigo Mulinari. O simulador é uma das tecnologia que o banco está mostrando no Febraban Tech, realizado nesta semana em São Paulo.

O Drex será uma moeda de atacado, o que significa que o cliente precisará da intermediação de um banco para fazer transações. É uma forma de evitar que o uso da versão digital do Real gere a chamada desintermediação, que é a migração de transações financeiras e de valores financeiros para fora do balanço dos bancos.

A segunda fase do piloto do Drex começa em julho. Nela, serão incorporados novos casos de uso, inclusive os de ativos que o BC não regula, como aqueles que têm as regras determinadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Leia também: Quatro perguntas e respostas para entender sobre o Real Digital

Utilidade é a chave do Drex

O Brasil está na ponta da inovação de CBDCs, e na opinião de Julierme de Souza, gerente executivo do BB, os bancos tradicionais precisam experimentar os benefícios dessa tecnologia "para ontem". "Em alguns anos, o Drex será realidade. Muitos dos nosso clientes não verão a tecnologia que está por trás, mas vão querer os benefícios da moeda digital", afirmou, durante um painel sobre Drex realizado dentro do estande do BB no Febraban Tech, em São Paulo.

Também presente ao evento, Helio Inoue, sales director da empresa G+D, parceira do BB no desenvolvimento de projeto piloto com o Drex, defendeu que essa CBDC precisa ter utilidade aos olhos do cliente. "Sem falar na questão tecnológica, é a aplicação do Drex no dia a dia que o fará relevante", disse Inoue.

O BB em parceria com a G+D está testando um ambiente de pagamento offline na fase 2 do projeto piloto do Drex, com foco em inclusão social e democratização de acesso. "O Drex precisa ser inclusivo, ser acessado por qualquer pessoa a qualquer hora", contou Inoue. Outra vantagem do real digital que poderá ser testada é seu aspecto programável. Um exemplo seria o pagamento de um benefício público, como vale-gás, cujo valor teria a programação para aquela finalidade específica, sugeriu o executivo. Ele citou um estudo recente do BIS, o banco central dos bancos centrais, segundo o qual 94% dos BCs pelo mundo estão trabalhando em projetos de CBDCs.

As possibilidades tecnológicas são amplas, mas os desafios das aplicações de Drex e dos tokens, em geral, estão hoje mais relacionadas ao aspecto regulatório, pontuou Fulvio Xavier, head de ativos digitais da consultoria Capgemini. "Não são mais desafios técnicos", disse Xavier, "mas é preciso buscar nos normativos o reconhecimento do instrumento digital e sua natureza como válidos".

Ele iniciou sua fala lembrando que tokenizar é basicamente representar um ativo na forma digital em redes blockchain, "com todos os benefícios que essa tecnologia pode trazer", apontando as características dos tokens como ativos que podem se tornar independentes do correspondente físico e ainda de forma fracionada e programável, "criando novas capacidades desses ativos no mercado e maior liquidez".

Em sua opinião, na economia tokenizada, os bancos vão representar a garantia institucional das emissões. "Vejo muito o papel do BB como uma instituição com o papel de rede de confiança nas transações, credibilidade para os tokens".

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