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Mercado

MRV (MRVE3) 1T24: operacional no Brasil segue aquecido e geração de caixa dá sinais de melhora

Operações brasileiras seguem em ritmo forte, crescendo lançamentos, vendas e receitas na comparação anual, mas companhia ainda tem dificuldades de estancar a queima de caixa.

Publicado por: Análise BB

conteúdo de tipo Leitura5 minutos

09/05/2024 às 15:10

Atualizado em

09/05/2024 às 15:10


Operacional no Brasil segue aquecido e geração de caixa dá sinais de melhora

A companhia entregou dados operacionais fortes no 1T24, em nossa opinião. Destacamos o crescimento de vendas líquidas consolidadas da companhia, que somaram R$ 2,1 bilhões (+17,8% a/a, -19% t/t) e contribuíram para um avanço da Receita Líquida para R$ 1,9 bilhão (+12,8% a/a, -1,8% t/t). Além disso, os Custos de Imóveis Vendidos e Serviços prestados apresentaram uma melhora operacional, representando 74,1% das Receitas no trimestre (-4,97 p.p a/a, -1,77 p.p t/t), com efeitos positivos no Lucro Bruto, que superaram até mesmo o reportado no trimestre anterior, chegando a R$ 493 milhões (+39,5% a/a, +5,4% t/t), melhor número para um único trimestre desde o 3T20. No entanto, é importante ressaltar que a geração de caixa consolidada permanece no campo negativo, de R$ -18,8 milhões no trimestre, impactada por uma queima de caixa de R$ 268,7 milhões nas operações americanas da companhia, embora tenha existido um efeito não recorrente de marcação a mercado em operações de Swap de suas dívidas, que se desconsiderarmos esses efeitos, a geração de caixa do trimestre seria positiva em R$ 24,7 milhões.

Desempenho das ações e perspectivas. As ações da MRV recuam mais de 35% em 2024, incluindo a queda de hoje (9), sendo fortemente impactadas pela recente abertura na curva de juros doméstica após dados de atividade mais resilientes que o esperado no mercado americano. Apesar disso, vemos perspectivas positivas vindas principalmente da resiliente operação brasileira da companhia, além dos recentes ajustes positivos relacionados ao RET1 e FGTS Futuro. Ainda assim, permanecem no radar incertezas em relação às elevadas taxas de juros nos Estados Unidos, que tendem a retardar uma retomada nos níveis de vendas das operações internacionais da companhia por meio da Resia, o que pode manter pressões sobre o fluxo de caixa consolidado no curto/médio prazo.

Apesar dos desafios citados, entendemos que boa parte dessas incertezas em relação às operações americanas já estão precificadas, uma vez que a MRV&Co negocia a um Preço por Valor Patrimonial (P/VP) em torno de 0,63x, 45% abaixo em relação a sua média de 5 anos, contribuindo para manutenção de nossa recomendação de Compra e nosso preço alvo em R$ 17,50 para final de 2024.

Destaques operacionais

A MRV lançou R$ 1,59 bilhão (+62,4% a/a e -24% t/t) no 4T23, sendo 100% de empreendimentos no segmento de Incorporação no Brasil, sem lançamentos em suas demais subsidiárias domésticas e/ou no exterior.

Já as vendas líquidas consolidadas da MRV atingiram R$ 2,1 bilhões (+17,8% a/a, -19% t/t), com pequena contribuição em relação a quantidade de unidades vendidas, mas grande impacto de um maior repasse de preços nesse primeiro trimestre, com o valor médio por unidade chegando a R$ 247 mil (+13,7% a/a), e já 0,8% acima do valor médio registrado no acumulado do ano de 2023. Esse movimento nos preços deve continuar, ao novo ver, já que no mês de abril foi aprovada a possibilidade de utilização de créditos futuros nas contas do FGTS dos trabalhadores para composição de renda nos financiamentos contemplados no Faixa 1 do programa Minha Casa Minha Vida. Também beneficiando empreendimentos dessa faixa, entrou em vigor em março de 2024 uma redução tributária por meio do RET1, o que eleva a atratividade dos projetos voltados para a população de baixa renda e tende a incrementar os resultados da companhia nos trimestres subsequentes.

Em relação à geração de caixa da companhia, existe uma orientação, comunicada no MRV Day, de “queima de caixa zero” no ano de 2024, a fim de reduzir as pressões no fluxo de caixa da companhia. De fato, haveria uma geração líquida positiva de caixa no 1T24, se não fosse por efeitos não recorrentes em função de impactos contábeis relacionados a swaps de dívidas, que têm objetivo de proteção e minimização das oscilações nas taxas de juros de mercado nos resultados da companhia.

A Resia, segundo segmento de maior importância em nível de receitas para a MRV&Co, não registrou vendas no trimestre, e foi a principal contribuição negativa para a geração de caixa, consumindo R$ 274,9 milhões no período, embora tenha conseguido crescer em unidades alugadas (+71% a/a, +57% t/t).

Econômico-financeiro

No consolidado, MRV&Co reportou Receita Líquida de R$ 1,9 bilhão no trimestre (+12,8% a/a e -1,8% t/t). O Lucro Bruto no trimestre foi de R$ 493 milhões (+39,5% a/a e +5,4% t/t), positivamente impactado por uma melhora envolvendo o Custo de Imóveis Vendidos e Serviços Prestados, que representaram 74,1% da Receita líquida no trimestre (-4,97 p.p a/a, -1,77 p.p t/t). Dessa maneira, a Margem Bruta chegou a 25,9%, a maior desde o 3T21.

As despesas gerais, administrativas e com vendas consolidadas foram de R$ 346 milhões no 1T24, representando uma melhora em relação ao trimestre imediatamente anterior, mas adicionalmente onerosas ao registrado em igual período de 2023 (+11,9% a/a, -13,6% t/t). No entanto, com crescimento da Receita Operacional Líquida, a diluição das despesas sobre a ROL foi ampliada no período para 18,1% (-0,15 p.p. a/a, -2,5 p.p. t/t).

O indicador de Dívida Líquida por Patrimônio Líquido consolidado ficou em 43,4% (+1,3 p.p. t/t, -21,8 p.p a/a), melhorando em relação ao EBITDA dos últimos 12 meses, aos 3,84x

Terminam por aqui os pontos positivos dos resultados apresentados pela companhia, já que os efeitos contábeis da marcação a mercado de derivativos impactaram a linha de despesas financeiras, levando o Resultado Financeiro no período para R$ -238 milhões (-167% a/a, -335% t/t). Dessa maneira, a MRV&Co finalizou o 1T24 com prejuízo líquido de R$ 167 milhões, revertendo lucro líquido de R$ 40,7 milhões em igual período do ano anterior, o que levou a margem líquida para -8,9% (-3,5 p.p t/t).

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