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Magazine Luiza (MGLU3) 3T23: misto; algumas melhorias operacionais ofuscadas por inconsistência contábil

BB analisa resultado do 3o TRI 2023 como misto, mas prejudicado pelas inconsistências contábeis encontradas

Publicado por: Análise BB

conteúdo de tipo Leitura7 minutos

Atualizado em

14/11/2023 às 10:51


Consideramos o resultado da Magazine Luiza no 3T23 misto. Do lado positivo, observamos crescimento das vendas no marketplace, incremento da margem bruta permitindo anular a perda de alavancagem operacional e fluxo de caixa livre robusto. Do lado negativo, tivemos mais um trimestre de prejuízo com vendas fracas tanto nas lojas físicas quanto no on-line com estoque próprio (1P).

Somado ao desempenho do trimestre, a companhia ainda divulgou um fato relevante ontem (13) com o reconhecimento de inconsistências contábeis que implicaram na redução do seu patrimônio líquido em R$ 829,5 milhões, parcialmente compensado pelo reconhecimento de créditos fiscais (R$ 504,7 milhões).

Desempenho das Ações e Perspectivas

As ações MGLU3 acumulam um desempenho negativo de 50% nos últimos 12 meses, refletindo o momento mais desafiador para as varejistas de bens duráveis, com taxa de juros elevada e menor ímpeto de consumo por parte das famílias. Apesar de termos observado um avanço em alguns indicadores da operação da companhia, entendemos que o reconhecimento de inconsistências contábeis neste trimestre adicionou maior risco à tese de investimento, a ser incorporado em nosso modelo de avaliação nos próximos dias. Por essa razão, colocamos nosso preço-alvo para o final de 2024 em revisão.

Desempenho Econômico-financeiro

As vendas totais somaram R$ 14,8 bilhões, crescimento de 4,8% a/a e pouco abaixo das nossas estimativas (-3,6%). Enquanto as lojas físicas mantiveram praticamente o mesmo patamar de vendas na comparação anual (+2,3% a/a e -5,2% r/e), as vendas on-line com estoque próprio (1P) caíram 4,2% a/a (-7,4% r/e) e as vendas do marketplace (3P) aumentaram 24,8% a/a (+4,4% r/e). Dado que o crescimento do GMV foi puxado pelas vendas no marketplace, que impactam a receita por meio do reconhecimento apenas da comissão cobrada do seller (take rate), a receita líquida retraiu 2,6% na comparação anual, vindo 4,8% abaixo das nossas estimativas.

O aumento da participação do marketplace nas vendas totais (+4,7 p.p. a/a), atingido quase 30% das vendas no 3T23, contribuiu para um incremento de 3,0 p.p. na margem bruta, que alcançou 30,4% nesse trimestre. Em adição à contribuição do marketplace, o lucro bruto também foi favorecido pela continuidade do repasse do Difal (cobrança da diferença entre alíquotas interna e interestadual).

Já o EBITDA Ajustado acompanhou a retração da receita líquida e caiu 2,7% a/a, mas veio 4,4% acima das nossas estimativas. A elevação das despesas com vendas, gerais e administrativas como percentual da receita líquida em 3,1 p.p. a/a foram compensadas pela alta da margem bruta, o que implicou na manutenção da margem EBITDA Ajustada na comparação anual em 5,3%.

O resultado líquido desse trimestre foi beneficiado pelo reconhecimento de créditos tributários no valor de R$ 523,8 milhões, relativos à não incidência de PIS/COFINS sobre bonificações de seus fornecedores em períodos anteriores a 2022. Esse evento não recorrente permitiu a contabilização de um lucro líquido de R$ 331 milhões no 3T23, ante um prejuízo de R$ 191 milhões no mesmo período do ano anterior.

Excluído esse evento, a Magazine Luiza teria reportado um prejuízo de R$ 143 milhões, com destaque para a redução do peso negativo do resultado financeiro líquido como percentual da receita líquida em 1,0 p.p. a/a. Apesar de mais um trimestre de prejuízo, o valor veio acima das nossas estimativas, que contemplavam um prejuízo de R$ 248 milhões no 3T23.

Em relação à alavancagem financeira, pontuamos que houve um incremento de R$ 255,3 milhões de dívida bruta na comparação anual, mas uma redução de R$ 923,4 milhões da dívida líquida. Com isso, a companhia fechou o trimestre com R$ 4,1 bilhões em dívida líquida, equivalente a 2,1x o EBITDA Ajustado dos últimos 12 meses, com 40,6% da dívida com vencimento no curto prazo.

Vale pontuar que houve a geração de R$ 926 milhões em fluxo de caixa livre no trimestre, com destaque para a geração de R$ 1 bilhão na atividade operacional. No acumulado do ano, o fluxo de caixa livre soma R$ 2,4 bilhões, ante um consumo de R$ 754 milhões no 9M22.

Fato Relevante

Ontem (13), a Magazine Luiza divulgou um fato relevante informando terem sido identificadas incorreções em lançamentos contábeis relacionados a bonificações em determinadas transações comerciais, com o lançamento de campanhas de vendas nos balanços antes do término dessas campanhas.

Por conta dessa incorreção, a companhia procedeu à correção dos lançamentos contábeis correspondentes, o que implicou na redução do patrimônio líquido no valor de R$ 829,5 milhões em 30/06/23, líquido de impostos e sem impacto no fluxo de caixa.

No mesmo fato relevante, a companhia divulgou o reconhecimento de créditos fiscais no valor (líquido de impostos) de R$ 507,4 milhões, tomando por base entendimento fixado recentemente pelo STJ referente à não incidência de PIS/COFINS sobre descontos, bonificações e abatimentos recebidos de seus fornecedores,

Diante desses ajustes, a redução do patrimônio líquido ficou em R$ 322,1 milhões.

**Visão do Analista**

Consideramos como negativa a identificação de inconsistências contábeis nas práticas da Magazine Luiza somente após uma investigação baseada em denúncia anônima. Ainda que a denúncia tenha sido considerada improcedente, a necessidade de reapresentação de lançamentos contábeis e de implantação de medidas visando ao aprimoramento dos mecanismos de controles internos gera incertezas quanto à existência de outras inconsistências porventura ainda não evidenciada e o nível de governança corporativa da companhia, o que adiciona mais riscos à esse de investimentos.

Destaques 3T23

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