homem com carrinho de carga em interior de indústria

Mercado

Lojas Quero-Quero (LJQQ3): perda de alavancagem operacional levando a mais um trimestre de prejuízo

BB analisa resultado do 3o TRI 2023. Companhia divulgou resultados fracos, mas em linha com o esperado. Novo preço-alvo de R$ 5,60.

Publicado por: Análise BB

conteúdo de tipo Leitura5 minutos

Atualizado em

31/10/2023 às 14:17


O resultado do 3T23 da Lojas Quero-Quero foi fraco, mas em linha com o esperado. No início do ano, esperávamos que o varejo de material de construção apresentasse evolução na comparação anual no decorrer do 2S23, o que não se concretizou, sinalizando que o ambiente econômico restritivo em função das taxas de juros elevadas deve perdurar e prejudicar a rentabilidade da companhia por mais alguns trimestres.

Aproveitamos para incorporar os resultados dos últimos dois trimestres e apresentar nosso novo preço-alvo para o final de 2024 de R$ 5,60 (antes R$ 6,20) com manutenção da recomendação Neutra.

Desempenho das Ações e Perspectivas

As ações LJQQ3 acumulam queda de 9,0% em 2023 até ontem (30), reflexo de sua rentabilidade pressionada diante de um cenário menos propício ao consumo. Entendemos que esse cenário ainda deve perdurar pelos próximos trimestres, com a trajetória da curva mostrando uma perspectiva de juros altos por mais tempo, o que impede que a companhia ganhe alavancagem operacional e recupere sua rentabilidade histórica no curto prazo. Diante disso, mantemos nossa recomendação em Neutra até vislumbrarmos melhoria do cenário para Lojas Quero-Quero.

Desempenho Econômico-financeiro

A receita líquida consolidada atingiu R$ 622 milhões, praticamente estável na comparação anual (+3,5% a/a) e em linha com as nossas estimativas (-1,0% r/e). Enquanto a venda de mercadorias mostrou queda da receita de -1,0% a/a (-1,1% r/e), prejudicada pela retração das vendas mesmas lojas em 6,2%, a receita proveniente de produtos e serviços financeiros aumentou 15,1% a/a (-0,8% r/e), favorecida pela elevação da demanda por crédito, bem como pelo volume transacionado no cartão de crédito Quero-Quero VerdeCard.

Apesar do desempenho morno de receita, a margem bruta mostrou melhoria na comparação anual, vindo 3,7 p.p. superior a/a (+3,8 p.p. r/e), como reflexo da melhoria da margem decorrente de produtos e serviços financeiros devido à estabilidade da inadimplência nos últimos 12 meses, o que manteve os índices de provisionamento estáveis.

Acompanhando o ganho de margem bruta, mas em menor escala, a margem EBITDA Ajustada atingiu 8,0%, alta de 1,0 p.p. a/a e +0,8 p.p. r/e, com o ganho em margem bruta parcialmente anulado pelo incremento das despesas com vendas e gerais e administrativas como percentual da receita líquida, refletindo as despesas adicionais decorrentes da expansão orgânica (35 novas lojas nos últimos 12 meses) e inflação do período sobre as despesas.

Mesmo com o incremento de margem operacional, a companhia reportou mais um trimestre de prejuízo, agora em R$ 12,3 milhões, em função do aumento das despesas financeiras em cerca de R$ 8 milhões, ou 1,1 p.p. como percentual a receita líquida.

Outro ponto de atenção diz respeito à piora da dinâmica de capital de giro, com incremento de 30 dias no ciclo financeiro, o que implicou, neste trimestre, em uma geração de caixa operacional R$ 26 milhões inferior em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Em relação à alavancagem financeira da companhia, pontuamos que sua dívida líquida atingiu R$ 213,2 milhões ao final do trimestre, equivalente a 1,2x o EBITDA Ajustado dos últimos 12 meses, ante 1,0x no 3T22, em função do incremento de 9,0% na dívida bruta e queda de 9,0% no EBITDA Ajustado últimos 12 meses.

Destaques 3T23

Revisão de Preço

Nossa revisão do valuation da Lojas Quero-Quero contempla:

  • Incorporação dos resultados do 2T23 e 3T23, o que implicou na redução do crescimento de receita esperado para 2023 com a redução do plano de expansão para 40 lojas em 2023 (antes 60 lojas);
  • Melhoria de margem bruta compensada parcialmente pelo incremento das despesas com vendas, gerais e administrativas como percentual da receita líquida em 2023 e 2024;
  • Atualização das premissas macroeconômicas, com elevação da taxa de desconto por ocasião do aumento do beta e da taxa livre de risco.
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